A Volta do Cinema Mudo

Nesta altura do campeonato,  ainda é cedo para se dar opiniões taxativas a respeito dos favoritos ao Oscar de 2012. Até o momento, nenhuma produção se demonstrou como o filme a ser batido nesta temporada de premiações. E, até mesmo aqueles que se destacaram, têm seus destinos incertos e ainda precisam ultrapassar algumas barreiras até a conquista da almejada estatueta dourada.

Em meio a este cenário de incertezas, um filme desponta nas bolsas de apostas: O Artista, de Michel Hazanavicius. Esta coprodução entre os Estados Unidos e a França foi escolhida a melhor do ano pelos críticos de Nova York, Boston e Washington, três das principais agremiações norte-americanas. Mas a carreira promissora da obra começou a ser traçada em maio deste ano, quando o ator Jean Dujardin recebeu o prêmio de Melhor Interpretação Masculina no Festival de Cannes. 

Dujardin é um dos atores mais populares da França, principalmente por interpretar o personagem principal de Agente 117, também dirigido por Hazanavicius. Sua pinta de galã e a sua enorme capacidade de expressão facial (típica de atores do cinema mudo) combinaram perfeitamente com a proposta de O Artista, e fazem com que este novato seja apontado com um dos principais candidatos ao Oscar de Melhor Ator do próximo ano.

No filme, Dujardin interpreta um astro do cinema mudo da década de 1920 que se apaixona por uma dançarina, interpretada pela argentina Berenice Bejo. Sua carreira começa a entrar em declínio, porém, com a chegada dos filmes falados. A simplicidade do enredo aliada à semelhança com grandes clássicos da Era de Ouro de Hollywood, como Cantando na Chuva, é um dos principais motivos para o sucesso de O Artista.

Além disso, dois detalhes merecem destaques neste filme: a fotografia em preto e branco e a total falta de diálogos. Características, no mínimo, curiosa em épocas de evolução do 3D ou de produções pomposas e superficiais que agradam em cheio à Academia.

O filme já é o favorito para os prêmios principais da Categoria Musical / Comédia, do Globo de Ouro 2012, veja os indicados aqui. E, pouco a pouco, se consolida como um dos protagonistas do próximo Oscar. Mas ainda é cedo para apontá-lo como o favorito para as principais estatuetas. Ainda mais se lembrarmos da rasteira espetacular que O Discurso do Rei aplicou em A Rede Social na cerimônia de 2011.

 

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com

Comentários

  1. Rafaela Caetano disse:

    O cinema mudo não tem fronteiras. É simplesmente uma das mais belas expressões artísticas já inventadas.

    Parabéns pelo site, pessoal. Está bem bacana. Que a Força esteja com vocês!