Balanço do Cinema em 2011: Parte 1

Se para nós brasileiros é comum dizer que o ano só começa de verdade depois do Carnaval, para os cinéfilos do mundo todo, não é exagero dizer que um ano só começa depois da entrega dos Oscars. O maior e principal prêmio do cinema, embora para muitos não seja tão relevante assim, é de fato um marco na indústria, já que é a última (desconsiderando o Framboesa de Ouro, que neste ano acontece em abril) grande premiação referente aos filmes lançados no ano anterior (nos EUA).

Depois da entrega do Oscar, que neste ano acontece em 26 de fevereiro, todos “esquecem” o ano anterior e focam suas atenções nos filmes lançados em 2012. Então, nada melhor do que fazermos um balanço do ano de 2011 para o cinema. Ano que foi bastante criticado, sendo considerado fraco por muita gente, mas… vamos ver o que este ano nos trouxe e depois a gente tenta chegar a um consenso.

OS CINEASTAS

O ano foi marcado pelo trabalho de grandes cineastas da velha guarda que, em sua maioria, apresentaram trabalhos no mínimo bons, quando não excelentes. Steven Spielberg veio com nada menos que Cavalo de Guerra (que dividiu opiniões, mas concorre ao Oscar de Melhor Filme) e As Aventuras de Tintim, que tem sido bem elogiado.

Martin Scorsese fez sua primeira aventura pelo universo do 3D e há quem diga que o velhinho fez miséria com a tecnologia com seu A Invenção de Hugo Cabret. Além disso, Scorsese lançou seu mais recente documentário musical, Living in the Material World, sobre o ex-beatle George Harrison.

Quem também resolveu se aproveitar e fazer bom uso do 3D foi o cineasta alemão Werner Herzog, com o documentário A Caverna dos Sonhos Esquecidos, exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Herzog ainda dirigiu outro documentário, Into the Abyss, no qual conversa com um condenado à morte para tentar entender por que as pessoas (e o Estado) matam. Outro alemão consagrado que se utilizou da “nova” tecnologia é Wim Wenders, com Pina, sobre a dançarina e coreógrafa alemã Pina Bausch, que concorre ao Oscar de Melhor Documentário.

Terrence Malick, que é um dos diretores mais bem conceituados com o menor número de trabalhos na carreira (apenas cinco longas-metragens em 40 anos), voltou com tudo depois de seis anos sem lançar um longa e emplacou não apenas uma indicação ao Oscar de Melhor Filme com o estupendo A Árvore da Vida, mas ainda conseguiu uma indicação de Melhor Diretor (além de Fotografia).

Outro que voltou com toda força às premiações é Woody Allen, que também emplacou o belíssimo Meia-Noite em Paris em três categorias importantíssimas do Oscar: Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original. O filme já é o maior sucesso da vasta carreira de Woody Allen, tendo arrecadado mais de US$ 100 milhões pelo mundo todo.

O espanhol Pedro Almodóvar se destacou com seu drama quase de suspense A Pele que Habito, que marca o retorno de sua parceria com Antonio Banderas depois de mais de 20 anos. O longa teve boa recepção de público e crítica e fez com que o diretor virasse tema de discussão até para quem não está tão acostumado a acompanhar de perto a carreira do espanhol.

Quem se aventurou por outro gênero e parece não ter se dado tão bem assim foi Roman Polanski, que dirigiu o fraco Carnage, com Kate Winslet, Jodie Foster, Christoph Waltz e John C. Reilly. O grande problema do filme é apelar para um humor canastrão e escatológico, diferentemente da sutileza que estamos acostumados a ver em trabalhos de outros gêneros dirigidos por Polanski.

E, para fechar o tema “cineastas das antigas”, o mais “antigo” dos grandes de Hollywood, Clint Eastwood, que prestes a completar 82 anos continua um workaholic e em 2011 dirigiu J. Edgar, cinebiografia do ex-chefe do FBI John Edgar Hoover, estrelada por Leonardo DiCaprio.

Amanhã você acompanha por aqui a segunda parte do especial Balanço do Cinema em 2011, com os atores e atrizes que foram destaque na temporada.

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Balanço do Cinema em 2011: Parte 3

Balanço do Cinema em 2011: Parte 4

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho