Balanço do Cinema em 2011: Parte 2

Dando sequência à série Balanço do Cinema em 2011, onde na primeira parte vimos os principais diretores da velha guarda do cinema que nos deram o prazer (menos Polanski, com o pavoroso Carnage) de assistir a bons trabalhos conduzidos por eles. Hoje, vamos relembrar os maiores destaques entre as atuações femininas.

AS ATRIZES

Assim como ocorreu com os diretores, duas atrizes de muita experiência se destacaram em 2011, Meryl Streep, por seu trabalho primoroso no mediano A Dama de Ferro, e Glenn Close, que está muito bem em Albert Nobbs, interpretando um papel masculino que já viveu no teatro, na década de 80.

Ambas as atuações são marcadas por uma caracterização muito forte: Meryl dá vida à ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher e fisicamente conseguiu ficar bastante parecida com a original. Já Glenn, ficou com a difícil tarefa de viver um papel masculino que, infelizmente, apesar da boa atuação, ainda nos faz enxergar um pouco de Glenn Close, ao invés de “comprarmos” de fato o personagem.

Não é por culpa da atriz, que realmente consegue convencer tanto na voz quando nos trejeitos masculinos, mas da própria caracterização e da maquiagem que não convence muito. Apesar disso, Glenn conseguiu sua sexta indicação ao Oscar, depois de 23 anos sem ser reconhecida pela Academia, que na década de 80 chegou a indicá-la cinco vezes ao prêmio, que nunca conseguiu levar para casa. Já Meryl, recordista de indicações ao Oscar com 17 nomeações, é a grande favorita ao prêmio de Atriz. Será que desta vez a Academia finalmente, depois de 29 anos, vai reconhecer seu trabalho? Vamos aguardar.

Outras duas veteranas (não tanto quanto as primeiras) que merecem ser citadas, embora não tenham de fato realizado trabalhos excelentes, apenas exemplares, são as mulheres do elenco de Carnage, Jodie Foster e Kate Winslet. A primeira ainda se aventurou na direção (e atuação, claro) de seu terceiro longa, Um Novo Despertar, que tentou (sem muito sucesso) dar vida nova à carreira de Mel Gibson. Já Kate, considerada por alguns a sucessora direta de Meryl Streep, além do (não me canso de dizer) péssimo filme de Polanski, apresentou uma boa atuação também em Contágio, de Steven Soderbergh. Mas foi na TV que a atriz brilhou em 2011, com a minissérie Mildred Pierce, que lhe rendeu vários prêmios. Mas essa relação de TV e cinema é assunto para um outro post.

Além das veteranas, 2011 parece ter sido o ano no qual algumas jovens atrizes foram reveladas e/ou reafirmaram seu talento, provando que o cinema está bem servido de grandes atuações entre os mais novos.
Não é de hoje que Kirsten Dunst tem se destacado, mas a atriz ainda gerava alguns comentários duvidosos por parte da crítica, que provavelmente não via com bons olhos alguns trabalhos mais comerciais da moça, como a trilogia Homem-Aranha. No entanto, a protagonista de Melancolia faturou o prêmio de Interpreção Feminina no Festival de Cannes do ano passado, com o filme (esquecido pela Academia) do dinamarquês Lars von Trier, e parece que caiu nas graças da crítica de uma vez por todas. Agora só falta o reconhecimento da Academia, que também a esqueceu entre as melhores atrizes do ano.

Outra que parece ter deixado para trás o passado na série Dawson’s Creek e tem figurado entre os grandes destaques do cinema contemporâneo é a bela Michelle Williams, que pelo segundo ano consecutivo (e terceira vez na carreira) é indicada ao Oscar, dessa vez por interpretar ninguém menos que Marilyn Monroe, no longa Sete Dias com Marilyn.

Ainda falando de indicadas ao Oscar, não podemos esquecer de Viola Davis e Octavia Spencer, que vêm recebendo bastantes elogios (e prêmios) por Histórias Cruzadas, que apesar de fraco (e perigoso; leia a crítica para entender o porquê), rende de fato boas atuações. E é também neste filme, e por alguns outros, claro, que vemos duas das mais promissoras atrizes do atual cinema: Emma Stone, que tem se destacado nos últimos anos por fazer excelentes comédias, como A Mentira e Amor a Toda Prova, e Jessica Chastain, também indicada ao Oscar por Histórias Cruzadas, ao invés de ter sido pelo filme certo, A Árvore da Vida. Poxa, Academia!

Quer mais nomes que ainda vão dar o que falar no cinema e que fizeram grandes trabalhos em 2011? Carey Mulligan, por Shame e Drive; Jennifer Lawrence, por Um Novo Despertar e X-Men: Primeira Classe; Elizabeth Olsen, por Martha Marcy May Marlene; Chloë Grace Moretz, que em 2010 estrelou Deixe-me Entrar e Kick-Ass, e agora em 2011 caiu nas graças de Martin Scorsese e está no elenco de A Invenção de Hugo Cabret; Elle Fanning, de Super 8 e que estará no próximo trabalho de Francis Ford Coppola, Twixt; Shailene Woodley, por Os Descendentes, de Alexander Payne; e as outras duas indicadas ao Oscar, Bérénice Bejo, por O Artista e Rooney Mara, que está espetacular em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher.

Como o post ficou gigante, fica para amanhã, na terceira parte da série Balanço do Cinema em 2011, os comentários acerca dos atores que se destacaram no cinema no ano passado. Leia a primeira parte da série Balanço do Cinema em 2011 aqui. Até lá!

LEIA TAMBÉM:

Balanço do Cinema em 2011: Parte 1

Balanço do Cinema em 2011: Parte 3

Balanço do Cinema em 2011: Parte 4

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho