Balanço do Cinema em 2011: Parte 3

Retomando a série Balanço do Cinema em 2011, onde na sua primeira parte lembramos dos grandes cineastas da velha guarda que apresentaram novos trabalhos no ano passado, e, na segunda, das atrizes que foram destaque na última temporada, hoje vamos falar dos atores.

Entre jovens e veteranos, alguns tiveram a chance de ser reconhecidos pelas premiações, outros (infelizmente os que mais se destacaram) nem tanto. Entre esses, alguns acabaram recebendo o reconhecimento depois de muito contribuírem para o cinema. Vejamos a seguir.

OS ATORES

Aos 82 anos, Christopher Plummer pode ser o mais velho ator a faturar um Oscar. Curiosamente, mesmo com uma longa carreira, esta é apenas a segunda vez que o veterano é indicado ao prêmio, desta vez por Toda Forma de Amor, longa no qual interpreta um gay que assume sua homossexualidade após a morte da esposa e que agora sofre de um câncer em estado terminal. O ator faturou praticamente todos os prêmios de coadjuvante na temporada e dificilmente deve sair do Kodak Theater sem sua estatueta. Em 2011, Plummer também participou de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher.

Outro veterano que a Academia resolveu reconhecer o trabalho é Max von Sydow, que também recebe sua segunda indicação ao prêmio da Academia por Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry. Também aos 82 anos, o eterno protagonista do clássico de Bergman O Sétimo Selo tem menos chances na categoria de Melhor Ator do que Plummer na de Coadjuvante, mas é sempre bom ver um veterano ao lado de atores mais jovens. Dá aquela impressão de que estão todos ali, aprendendo um pouco mais… afinal de contas, não é qualquer um que joga xadrez com a morte.

Outro que tardiamente conseguiu sua primeira indicação ao Oscar (já era hora, hein, Academia?) é Gary Oldman. O ator que é praticamente uma unanimidade de público e crítica foi reconhecido por seu papel em O Espião que Sabia Demais, no qual interpreta um personagem um pouco diferente do que estamos acostumados a vê-lo fazendo, já que Oldman é reconhecido mais por suas atuações exageradas e neste vive um espião calmo e centrado.

Quem parece ter recebido uma nova chance da indústria também foi Nick Nolte, que durante toda a carreira sempre teve altos e baixos (bem baixos, com envolvimento com drogas e até prisões). Aos 71 anos (completados hoje, aeeeeee!!!), Nolte vive um pai alcoólatra de dois filhos lutadores no drama Guerreiro. Pelo jeito, nesse ano a Academia vai bater um recorde de idade entre seus indicados, já que Nolte também recebeu uma nomeação para Ator Coadjuvante.

Mudando um pouco a faixa etária dos atores que se destacaram em 2011, agora partindo para os de meia-idade, os amigos George Clooney e Brad Pitt merecem destaque, cada um por dois filmes. Clooney pela belíssima atuação em Os Descendentes, de Alexander Payne, pelo qual concorre ao Oscar de atuação, e Tudo pelo Poder, onde é um dos coadjuvantes, mas é o diretor do longa onde quem brilha mesmo é Ryan Gosling, que vamos comentar daqui a pouco. Já Pitt, mostrou seu lado mais artístico e independente no longa de Terrence Malick A Árvore da Vida. Mas é por sua atuação em O Homem que Mudou o Jogo que o ator tem chances (ainda que poucas) de faturar seu primeiro Oscar.

Apesar de terem recebido inúmeros elogios da crítica e o reconhecimento em algumas premiações, quem acabou esquecido pela Academia foram Ryan Gosling e Michael Fassbender, certamente, os maiores destaques de 2011 entre as atuações masculinas. Gosling deu um show de interpretação por onde passou, seja por Drive, o já citado Tudo pelo Poder, e até na comédia Amor a Toda Prova, com Steve Carrell, Julianne Moore e Emma Stone. É uma pena ver um ator tão talentoso, que já havia sido injustiçado em 2010, quando merecia pelo menos algumas indicações por sua atuação em Namorados para Sempre, não ser reconhecido por seu trabalho.

O mesmo aconteceu com Fassbender, que em 2011 recebeu inúmeros elogios por suas atuações em Um Método Perigoso, de David Cronenberg, Shame, de Steve McQueen, e até mesmo pelo blockbuster X-Men: Primeira Classe, no qual assumiu a difícil tarefa de interpretar o jovem Magneto, que já havia sido eternizado por ninguém menos que Ian McKellen. Ou seja, 2011 foi MESMO o ano desses dois atores, só a Academia que não viu.

Quem também tem mostrado que veio para ficar e não vai demorar muito para que se destaque entre os demais (será que o próximo Batman é sua grande chance?) é Tom Hardy. No ano passado, o galã estrelou o drama Guerreiro, já citado, e foi um dos coadjuvantes de destaque em O Espião que Sabia Demais. Em 2012, Hardy tem a difícil (sem trocadilhos) tarefa de interpretar o vilão Bane, em O Cavaleiro das Trevas Ressurge, longa que encerra a trilogia do homem-morcego dirigida por Christopher Nolan. Será que o ator vai conseguir deixar sua marca no próximo Batman assim como Heath Ledger deixou ao interpretar o Coringa em O Cavaleiro das Trevas? Aguardemos!

Quem também não pode ser deixado de fora dessa lista é Leonardo DiCaprio, que estrelou o mais recente trabalho de Clint Eastwood, J. Edgar, no qual interpreta o ex-chefe do FBI John Edgar Hoover. O galã não foi muito bem recebido pelas premiações, mas até aí não há nenhuma grande novidade, já que DiCaprio tem a fama de não manter mesmo uma boa relação com as instituições que reconhecem o trabalho dos atores, em especial a própria Academia. Outro que merece ser citado é o francês Jean Dujardin, que estrela o favoritíssimo ao Oscar O Artista. Dujardin deve agora tentar focar sua carreira em Hollywood, depois de ter se destacado pelo filme de Michel Hazanavicius.

Para finalizar, dois nomes não podem deixar de ser citados: Andy Serkis e Alan Rickman. Serkis há muito vem sendo injustiçado pela conservadora Academia, que custa a reconhecer seus trabalhos com captação de movimentos, uma das tecnologias mais revolucionárias dos últimos tempos. Sua parceria com Peter Jackson rendeu pelo menos dois papéis que facilmente poderiam ter sido reconhecidos pelos membros da instituição: o personagem Gollum, em O Senhor dos Anéis, e King-Kong. Em 2011, Serkis voltou a chamar atenção ao dar vida ao macaco César, em Planeta dos Macacos: A Origem, e por interpretar o Capitão Haddock, em As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg, que chegou a chamá-lo de gênio.

Já Alan Rickman, o eterno Hans Gruber de Duro de Matar, foi o responsável por imortalizar o personagem Severo Snape, para mim o melhor de toda a saga Harry Potter. Em 2011, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 encerrou a franquia que rendeu oito longas-metragens e dólares incontáveis, tanto para a Warner quanto para a criadora do personagem, a britânica J.K. Rowling.

Amanhã, na última parte da nossa série Balanço do Cinema em 2011, vamos falar sobre os principais filmes lançados no ano passado e sobre a atual fase criativa (ou não) de Hollywood. E se você perdeu alguma das outras duas partes da série, pode ler a primeira aqui e a segunda neste link. Até lá!

LEIA TAMBÉM:

Balanço do Cinema em 2011: Parte 1

Balanço do Cinema em 2011: Parte 2

Balanço do Cinema em 2011: Parte 4

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho