Balanço do Cinema em 2011: Parte 4 – Final

Nesta quarta e última parte do especial Balanço do Cinema em 2011, vamos falar de como foi o ano para os lançamentos, quais os principais filmes que chegaram às telonas e um pouco da sua importância para a própria indústria do cinema. Nas primeiras partes, vimos que o ano trouxe vários diretores da velha guarda com novos filmes e os principais atores e atrizes que se destacaram na temporada passada.

OS FILMES

O ano de 2011 trouxe uma chuva de lançamentos sem grandes aspirações criativas, diga-se. Muitas continuações de fórmulas de sucesso, adaptações de quadrinhos e pouca coisa realmente original e autoral. Para se ter uma ideia, na temporada passada foram lançados: Amanhecer – Parte 1, quarto filme da saga Crepúsculo, Se Beber, Não Case 2, Kung Fu Panda 2, Carros 2, Deu a Louca na Chapeuzinho 2, Transformers 3, Piratas do Caribe 4, Pânico 4, Velozes & Furiosos 5, Premonição 5, o sétimo filme da franquia Planeta dos Macacos, Harry Potter 7.2 e o reboot de Conan, O Bárbaro. Além, claro, dos filmes de super-heróis: Thor, Capitão América, Lanterna Verde e X-Men: Primeira Classe, quinto longa dos mutantes.

No entanto, nesse meio tempo, alguns lançamentos merecem maior destaque, como Tudo pelo Poder, de George Clooney, Drive (que estreia ao Brasil agora em fevereiro), Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, Melancolia, de Lars von Trier, A Árvore da Vida, de Terrence Malick e Super 8, que não tem muito de original, mas vale a menção da parceria de J.J. Abrams com Steven Spielberg, em um filme que tem a cara dos clássicos dos anos 80, do diretor de boné mais famoso do mundo.

Aliás, Super 8 e Meia-Noite em Paris nos fazem pensar no que já tem sido muito falado  recentemente: o cinema está com saudade de épocas que não voltam mais. O filme de J.J. Abrams e Spielberg tem a aura das comédias infantis dos anos 80 (Goonies, E.T., Conta Comigo…); Meia-Noite em Paris carrega seu protagonista à Paris do século 20, já Scorsese, com A Invenção de Hugo Cabret, presta uma homenagem à Georges Méliès, na Paris da década de 30. Aliás, mesma década em que se passa o tão falado (merecidamente) e favorito ao Oscar O Artista.

Além desses, e dos outros inúmeros filmes listados na primeira parte deste especial, quando falamos dos grandes cineastas da velha guarda que fizeram bons filmes em 2011, outros trabalhos fizeram com que 2011, no final das contas, fosse um bom ano para o cinema, embora não brilhante. Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, adaptação de David Fincher para o livro do sueco Stieg Larsson, certamente é um dos melhores trabalhos do diretor. Uma pena não vê-lo concorrendo em Melhor Filme no Oscar, por exemplo.

Outro que merece destaque e que nos EUA superou as expectativas dos próprios produtores, sendo um sucesso de público e crítica, é a comédia Missão Madrinha de Casamento, estrelada e roteirizada por Kristen Wiig. O filme que parecia ser destinado mais ao público feminino, ultrapassou essa barreira de gênero e atingiu um público enorme também entre os homens. Há quem diga que o filme deu uma chacoalhada na indústria de Hollywood, que quase sempre foca seus longas em determinados públicos alvo e ficam limitados a eles, ao contrário desta comédia.

O mesmo infelizmente não se pode dizer das animações, que neste ano não foram de grande destaque, principalmente pelo fato de a Pixar não ter acertado a mão em Carros 2, que fracassou (assim como o primeiro) nas bilheterias. A única explicação para que a empresa tenha investido numa continuação de um filme (excelente, mas que) já havia fracassado em sua primeira parte, é o fato de Carros ser a franquia mais rentável para a Pixar em relação a mershandising.

Rango, Rio e As Aventuras de Tintim acabam sendo os grandes destaques no “gênero” animação, mas a Academia também custou a enxergar isso e só indicou o primeiro dos três a categoria de Melhor Filme de Animação. Provavelmente, Tintim acabou não sendo votado por contar com a tecnologia de captura de movimentos, que para academia ainda é um grande tabu. Já Rio, bom… esse eles realmente ignoraram e só indicaram para Melhor Canção.

Acho que, como um todo, 2011 foi um bom ano para o cinema, com alguns altos e baixos, mas no geral, depois de tudo o que vimos, teve mais acertos do que erros. Mais filmes bons, apesar de muito não tão criativos, do que ruins. O ano também ficou marcado, para mim, pelas grandes atuações e direções, mais até do que pelos filmes. E aí, depois de ler as nossas considerações sobre o ano de 2011 para o cinema, você acha que ele foi bom ou ruim?

LEIA TAMBÉM:

Balanço do Cinema em 2011: Parte 1

Balanço do Cinema em 2011: Parte 2

Balanço do Cinema em 2011: Parte 3

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho