Cinetrilha: Alta Fidelidade

Alta Fidelidade (2000): direção de Stephen Freas e roteiro de D.V. DeVincentis, Steve Pink, John Cusack, Scott Rosenberg.

Baseado no livro homônimo de Nick Hornby, o filme traz à tona um personagem viciado em música. Rob Fleming, interpretado por John Cusack, é dono da loja de discos mais fracassada do pedaço e se orgulha dela. O personagem nos conta sua trajetória no mundo dos relacionamentos, desde o colégio até sua vida adulta. Todos os momentos, claro, embalados por suas canções favoritas.

“O que veio primeiro, a música ou a tristeza? Sou infeliz porque escuto música ou escuto música porque sou infeliz?”. Essa é a frase que dá um pontapé inicial para que Rob nos conte sobre suas paixões e seu prazer em se deprimir ao som de vozes e letras tristes. O personagem é um pouco de nós mesmos quando assume que adora ir ao fundo do poço com a ajuda de suas preciosas fitas cassete.

Tanto Rob como seus parceiros na loja (Jack Black e Todd Louiso) têm uma relação muito forte com a música, o que proporciona cenas memoráveis, desde as brigas por gêneros musicais preferidos até os poucos clientes excêntricos que frequentam o estabelecimento. As canções que embalam essas discussões vão de Belle & Sebastian a Bob Dylan.

Se você é fã de vinil, o filme te deixa com uma ponta de inveja ao mostrar as prateleiras de Rob cheias de discos de todos os gêneros musicais possíveis, nas quais ele se perde no meio de tantos artistas. Isso mostra claramente como o mundo das composições afeta sua vida sentimental e deixa lembranças nos acordes para o resto da vida (alguém se identificou?).

A melhor cena é, sem dúvida, protagonizada por Jack Black, já no final do filme, interpretando Let’s Get It On, clássico na voz de Marvin Gaye. Se você pensa que foi algo cômico como de costume, errou! Ele canta muito bem e até tirou aquela imagem da minha cabeça de que só sabia gritar heavy metal.

Um das minhas músicas preferidas está nessa trilha e se chama Oh! Sweet Nuthin’, do The Velvet Underground. Se eu gosto, não vou dizer muita coisa (um dos melhores solos de guitarra, aponta meu estudo), deixo que vocês ouçam e avaliem em que momento ela entra no filme.

Dica: Assista ao longa, não ouça só a trilha. Há muitas mais belezas escondidas que não foram incluídas no lançamento, como Crimson & Clover, com Joan Jett, Baby, I Love Your Way, de Peter Frampton, e Rock Steady, com Aretha Franklin. Aqui no IMDb, você vê a trilha sonora completa.

Ah! Bruce Springsteen aparece no filme. Acho que não preciso de mais nada pra te convencer, certo?

Semana que vem tem mais!

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Jornalista, fã de cinema, mas principalmente de trilhas sonoras. Certamente presta mais atenção nas músicas do que no filme. Tem uma queda por rock, mas também ouve blues, soul, jazz e country. Sua trilha sonora preferida está em Quase Famosos, por isso bigodes e guitarras são sempre bem-vindos.