Intensivão Alien

ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO

A história de Alien, o Oitavo Passageiro (1979) começa quando os tripulantes da nave de carga Nostromo, que está voltando para a Terra, recebem a ordem de pousar em um pequeno planeta para investigar uma transmissão que receberam. Ao pousarem, três dos sete tripulantes da nave descem para investigar o sinal, até que um deles é atacado por um misterioso ser que fica grudado em seu rosto.

Ao voltarem para a nave, o Oficial de Ciências Ash (Ian Holm) vai estudar o estranho ser e o que pode ter acontecido com o primeiro oficial Kane (John Hurt). Passado algum tempo, a criatura se desgruda do rosto de Kane, que acorda como se nada tivesse acontecido.

A tripulação, então, se reúne para uma refeição, quando de repente Kane começa a passar mal na mesa e outra criatura, nesse caso já o Alien, sai de seu peito, matando-o e colocando em risco a vida dos outros tripulantes que, um a um, viram vítimas do monstruoso alienígena que assume uma forma maior que a de um homem.

O mais interessante de Alien, é ver que a história gira em torno da personagem de Sigourney Weaver, a tenente Ellen Ripley, que é apenas a terceira em comando na nave. Ou seja, ao contrário do que estamos acostumados a ver, o herói (aqui representado por uma mulher) não é o líder da tripulação. Nem por isso os outros personagens se tornam menos importantes. Um bom exemplo é a navegadora Lambert (Veronica Cartwright), que assume a posição mais frágil da tripulação, pois é a que mais fácil se entrega ao medo que sente da criatura, assim como qualquer ser humano comum faria.

Outro personagem importante, e que posteriormente descobrimos se tratar de um androide, é o cientista Ash, que assume o papel de principal representante dos interesses das indústrias Weiland, empresa responsável pela missão da Nostromo, que deseja que a tripulação leve como passageira a estranha criatura, para ser estudada na Terra.

É interessante ver que, apesar de não ser a líder da equipe e não parecer a protagonista no início do filme, Ripley assume o principal papel de tentar evitar que a vida da tripulação corra grandes riscos, já que quando Kane é atacado do lado de fora da nave, ela se nega a abrir a porta para que ele e os outros tripulantes entrassem na Nostromo, alegando que eles deviam ficar de quarentena, para evitar o contágio de algum tipo de doença. No entanto, Ash toma a frente e permite a entrada deles e o resto a gente já sabe o que acontece.

O filme de Ridley Scott tem uma fotografia interessante, que explora muito bem os ambientes sombrios e cheios de fumaça da Nostromo, ao mesmo tempo em que serve para esconder e aumentar o medo dos personagens em relação ao Alien. Outro ponto interessante é a sensação de claustrofobia que ele causa. Por se passar praticamente o tempo todo dentro da nave, o que mais vemos são os ambientes quase todos fechados ou marcados por estreitos corredores, às vezes em curva, nos quais Scott usa brilhantemente os travellings com a câmera. Dando a impressão de que a qualquer momento o Alien pode aparecer próximo aos tripulantes da Nostromo.

ALIENS, O RESGATE

É curioso como os dois primeiros filmes da série são bastante diferentes, embora mantenham sua essência. O segundo é claramente um longa de James Cameron. Não somente por alguns dos atores fetiche do diretor participarem, mas também porque, visualmente, ele é muito parecido com outros filmes de cameron. Os efeitos são bem parecidos com os de O Exterminador do Futuro, por exemplo, principalmente em relação aos raios e fumaças.

Esse segundo filme da franquia mantém uma das características mais legais do primeiro, que é usar muito bem as sombras e jogos de luzes. No entanto, a fotografia consegue ser também diferente, porque é bem mais limpa que do primeiro filme, que era bastante granulada. Outra coisa curiosa é como a Ripley neste filme é muito parecida com a Sarah Connor de Extermidor do Futuro 2, que Cameron faria apenas 5 anos depois. É menos fragilizada, embora já no primeiro filme ela demonstre muita coragem, e mais destemida nesta continuação.

Suas motivações também são um tanto diferentes das do primeiro filme. Lá, Ripley luta basicamente pela própria sobrevivência, claro que também pensando no coletivo, mas é como se cada um fosse responsável por si próprio. E eram. Aqui, a tenente tem uma relação mais estreita com a personagem Newt, uma menininha sobrevivente do ataque Alien no planeta onde estão. Ripley praticamente enxerga na menina a filha que não conseguiu criar na Terra, pois, com seu retorno no final do primeiro filme (mas que só descobrimos no início deste), passou décadas hibernando no espaço, sem poder criar a filha, que já havia morrido quando conseguiu retornar ao nosso planeta.

O grande diferencial entre os dois primeiros filmes é que este traz muito mais ação, com militares tentando combater os Aliens, enquanto o primeiro é um suspense mais próximo do terror, no qual uma criatura desconhecida ataca uma nave com tripulantes civis, que têm de tentar sobreviver a qualquer custo, sem grandes mecanismos de defesa, como armas militares.

ALIEN³

O terceiro filme da franquia é o primeiro longa de ficção dirigido por David Fincher, que depois se tornaria um dos cineastas mais cultuados de sua geração. É um bom filme, embora divida muitas opiniões, principalmente em relação ao seu final.

O longa começa com a nave utilizada por Ripley no segundo filme caindo em um planeta que serve de prisão de segurança máxima. Quando acorda, a tenente descobre que foi a única a sobreviver ao acidente, mas percebe que as outras mortes foram causadas por um intruso na nave. Desta vez, Ripley terá de unir forças com os “habitantes” daquela prisão para poderem sobreviver ao pior.

Apesar de ter sido lançado 13 anos após o primeiro, este terceiro filme parece ter sido o que pior envelheceu, pois seus efeitos ficaram datados e hoje soam bastante artificiais aos nossos olhos. Aqui, o Alien é mostrado em muitos momentos, ao contrário do primeiro filme, e nas cenas em que ele corre atrás das pessoas, foi utilizado a técnica de stop motion, que visivelmente deixa a criatura esverdeada e longe da aparência do Alien “real”.

Em Alien³, apesar de ser seu filme de estreia, David Fincher consegue mostrar um pouco de sua assinatura, que reconheceríamos anos depois em outros trabalhos do cineasta, como a característica mais niilista da história e de sua personagem principal, que ao descobrir que carrega um alienígena dentro de si, resolve acabar com a própria vida, para que possa, também, acabar com o Alien.

A cena final de Alien³ apresenta um erro bobo de continuidade. Ao mostrar novamente a pequena nave na qual Ripley foi encontrada no início do filme, ouvimos a gravação da frase clássica dita por ela no final de Alien, o Oitavo Passageiro: “This is Ripley, last survivor of the Nostromo, signing off”. Mas não faz o menor sentido a gravação ser ouvida, pois esta nave que Ripley utilizou para voltar à Terra em Aliens, o Resgate, não pertencia à Nostromo e ela não mandou esta mensagem no final do segundo filme.

ALIEN, A RESSURREIÇÃO

Lançado em 1997, o quarto filme da franquia é, para mim, o mais fraco de todos. Dirigido por Jean-Pierre Jeunet (Amélie Poulain), o filme se passa 200 anos depois da história anterior, quando Ripley acorda em uma nave de cientistas que a clonaram (WHAT?), para utilizar o feto alien, e criar um exército alienígena que, eles pensam, podem ser controlados.

Os aliens criados pelos cientistas, então, se revoltam e começam a atacar a nave, que está voltando em direção à Terra. Com isso, a tenente, que teve seu DNA alterado e adquiriu algumas das características alienígenas, vai tentar deter os monstros, antes que algo pior aconteça.

Apesar de ter algumas boas cenas de ação, é visível que esta continuação é a que mais força situações absurdas em relação à história original de Alien. Clonagem, exército de aliens que podem ser controlados, similaridades entre Ripley e a Rainha Alien… chega, né? Nem a presença de uma nova andróide, desta vez interpretada por Winona Ryder, deixa a história mais interessante.

VEJA TAMBÉM:
Crítica: Prometheus

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho