O Oscar da justiça, finalmente!

A cerimônia do Oscar neste domingo pode, talvez, ser considerada a mais justa em um bom tempo. Não houve nenhuma grande surpresa em relação aos vencedores e, na maior parte das categorias, os favoritos acabaram levando as estatuetas. O bom é que, desta vez, a maior parte deles realmente merecia o prêmio. Quando não era o que mais merecia, pelo menos não estava mal o bastante para deixar ninguém muito chateado.

A apresentação de Billy Crystal foi a mais tradicional possível, nada que a gente já não tenha visto antes, mas também não chegou a ser irritante, como aconteceu no ano passado com Anne Hathaway e James Franco (principalmente). Ele até teve uns bons momentos, como a abertura, onde fez paródias dos principais filmes indicados, e quando fingiu adivinhar o pensamento de alguns membros da plateia. Brincadeira já feita no Oscar, claro, mas foi divertida. Cansativo mesmo foi seu número logo no início da cerimônia, quando cantou para todos os filmes indicados.

Entre os apresentadores, vale destacar Robert Downey Jr., que fez piada fingindo estar gravando um documentário ao vivo, ao lado da sempre sem graça Gwyneth Paltrow, e já comprou seu passaporte para um possível cargo de host no futuro. Seria hilário! Jennifer Lopez e Cameron Diaz também fizeram suas gracinhas no palco, nada que tenha sido muito engraçado, mas também não chegou a ser constrangedor. Ao lado de Ben Stiller, aquela linda da Emma Stone (que parecia embrulhada para presente) começou genial, fazendo graça ao dizer que era sua primeira vez apresentando uma categoria no Oscar e queria aproveitar o momento, mas insistiu na piada, que foi ficando longa e sem graça. Uma pena.

Quem também gerou muitos comentários quando subiu ao palco foi Angelina Jolie, que não cansa de ser uma das mulheres mais sexys do show bizz, embora nos últimos tempos venha mostrando uma magreza exagerada. (Angelina, temos o maior respeito e admiração por você ser uma super ativista e estar sempre visitando os países pobres da África, mas não precisa demonstrar toda sua solidariedade passando fome também). Quando os vencedores da categoria de Melhor Roteiro Adaptado, anunciada por Angelina, subiram ao palco para receber suas estatuetas, um deles, Jim Rash (o reitor da série Community), fez uma brincadeira imitando a pose que a atriz fez logo que subiu ao palco, mostrando a perna em uma enorme fenda em seu vestido. Com certeza, um dos momentos mais engraçados da noite.

O Artista se consagrou neste domingo ao vencer cinco estatuetas, entre elas as de Melhor Filme (inédito para um longa francês), Ator (também inédita para um francês) e Diretor, para Michael Hazanavicius, que tirou das mãos de Martin Scorsese aquele que seria o segundo Oscar na carreira de um dos maiores cineastas da história, e um dos mais injustiçados também. Mas, embora eu tenha ficado um pouco triste com essa categoria, porque torci muito por Scorsese, não foi injusta a premiação para Hazanavicius, que fez um trabalho admirável no longa mais premiado do ano.

Mas a grande estrela da noite foi mesmo a maior atriz ainda em atividade, Meryl Streep, que finalmente, depois de 29 anos sem vencer um Oscar, conseguiu a tão sonhada (e tardia) terceira estatueta na premiação. Nos agradecimentos, ela brincou dizendo que, na última vez em que recebeu uma estatueta, duas das indicadas que concorriam agora com ela, ainda não eram nascidas. No caso, Michelle Williams e Rooney Mara.

Este parece ter sido um Oscar da justiça, não apenas pelo fato de Meryl Streep ter quebrado seu longo jejum, mas também porque Woody Allen voltou a vencer, desta vez pelo roteiro de Meia-Noite em Paris. Christopher Plummer também faturou sua primeira estatueta na carreira, aos 82 anos, se tornando o ator mais velho da história a ganhar um Oscar. Isso sem contar algumas outras indicações que também mostraram que neste ano a Academia queria compensar um pouco das falhas do passado, como Gary Oldman concorrendo pela primeira vez a um Oscar de Melhor Ator e Max von Sydow, recebendo, também aos 82 anos, apenas sua segunda indicação ao prêmio da Academia.

No final, quando Tom Cruise anunciou O Artista como o grande vencedor do principal prêmio da noite, a primeira pessoa a se levantar, entusiasmada, foi Harvey Weinstein, o todo poderoso de Hollywood, que garantiu neste ano 16 indicações para os filmes distribuídos por sua empresa a Weinstein Company, e converteu metade destas indicações em estatuetas, provando que, mesmo disputando contra os grandes estúdios, os irmãos Bob e Harvey continuam sendo os reis do lobby na indústria do cinema norte-americano. Pelo menos, desta vez, Harvey Weinstein não foi chamado de deus em nenhum dos agradecimentos, como fez Meryl Streep no Globo de Ouro deste ano.

Veja a lista completa dos vencedores do Oscar aqui.

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho