Crítica: A Morte do Demônio

É preciso deixar claro, desde o início, que o terror anda mal das pernas há um bom tempo. Sem apresentar grandes títulos de destaque nos últimos anos, o gênero tem se prendido a fórmulas cada vez mais pasteurizadas, que hoje em dia já não assustam mais as pessoas como nas décadas de 70 e 80, onde alguns dos maiores clássicos foram realizados, como O Exorcista, A Profecia, O Iluminado, Carrie, a Estranha e The Evil Dead – A Morte do Demônio, entre outros (principalmente os que compõem o subgênero terror de serial killer).

Além da dificuldade de emplacar novos títulos, também estamos em uma era de renovação daquilo que já foi feito, com a desculpa de apresentar os velhos clássicos a um público mais jovem, mas que todos nós sabemos que não passa de uma jogada da indústria para tentar garantir o sucesso de sua produção por conta de um nome já consagrado.

Dito isso, comecemos a falar logo sobre A Morte do Demônio, longa inspirado no clássico The Evil Dead, que em 1981 foi escrito e dirigido por Sam Raimi, agora produtor deste dirigido pelo estreante em longas-metragens Fede Alvarez. O primeiro mérito do filme já começa por respeitar a história original, sem querer reescrevê-la, mas utilizando do mesmo esqueleto para compor a história de novos personagens.

Assim como no filme de Sam Raimi, cinco amigos vão para uma cabana no meio de uma floresta, mas dessa vez para ajudar uma das garotas, Mia (Jane Levy), a se livrar do vício das drogas. Já no primeiro dia, eles encontram no porão vestígios de um provável ritual de bruxaria, com animais mortos, e o famoso Livro dos Mortos, envolto em um saco plástico amarrado com arames farpados.

Curioso sobre o conteúdo do livro, Eric (Lou Taylor Pucci) acaba por ler um trecho que desperta um espírito maligno que habita aquela floresta e, sem saber, dá sinal verde para uma noite alucinante, regada a um banho de sangue poucas vezes visto no cinema.

A partir desse momento, Mia é perseguida e presa nas árvores da floresta e, quando consegue se soltar e voltar para a cabana, já está possuída pelo demônio, que só poderá ser morto se ela for esquartejada, enterrada viva ou queimada. Assim como na história original de Raimi, essa entidade malígna passa a dominar os corpos de cada um dos membros do grupo assim que eles são atacados por alguém já possuído.

É nesse universo de desgraça e violência extrema, uma das principais características dos filmes mais recentes de terror, que Mia, seu irmão David (Shiloh Fernandez), Olivia (Jessica Lucas), Natalie (Elizabeth Blackmore) e Eric vão tentar sobreviver até a manhã seguinte, para voltarem em segurança para a cidade.

Com um pouco menos de sarcasmo que o filme clássico, mas com uma violência muito mais acentuada, A Morte do Demônio não decepciona os fãs do gênero, embora não apresente nada de novo a ele, e presta uma homenagem ao clássico de Sam Raimi. O filme de 81 é lembrado não apenas por essa história se passar no mesmo local que a primeira, mas também porque vemos o carro de Ash atrás do casebre e por uma pequena surpresa que pode ser conferida no final dos créditos.

Mesmo por nascer envolto por essa aura de oportunismo de um gênero em crise, o diretor Fede Alvarez soube como driblar as jogadas da indústria e usá-las a seu favor, como uma ode a um dos maiores clássicos do gênero, sem desrespeitar os milhares (milhões?) de fãs de Ash, Raimi e do demônio (he he), ao redor do mundo.

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho