Crítica: Argo

O talento de Ben Affleck como ator, de fato, pode até ser questionado. Mas, se assunto for as produções dirigidas por ele, a conversa toma outra proporção, basta analisarmos a qualidade técnica dos longas Medo da Verdade (2007), Atração Perigosa (2010) e, principalmente, Argo para enxergarmos um cineasta talentoso.  

Ambientado no fim da década de 1970, Argo retrata um período tenso da história do Irã causado pela queda do presidente Mohammad Mosaddeq, que, com a intervenção do governo norte-americano, foi substituído pelo xá Reza Pahlevi. Esta decisão causou revolta na população iraniana, contribuindo para que militantes islâmicos invadissem a Embaixada dos Estados Unidos e mantivessem mais de 50 funcionários como reféns.

Acontece que seis funcionários da embaixada conseguiram fugir por uma saída de emergência e foram abrigados na casa do embaixador canadense em Teerã. Na tentativa de tirá-los em segurança do local, alguns agentes da CIA, liderados por Tony Mendez (Ben Aflleck), bolam um plano mirabolante: fingir que estão à procura de locações para que seja rodado um filme. Assim, esse sexteto de refugiados podem se passar por membros da equipe de filmagem, como roteirista, diretor, diretora de arte…e fugir do país.

E, para que as autoridades iranianas acreditem nesta mentira, Mendez cria uma produtora, coordenada por dois divertidíssimos figurões de Hollywood, interpretados por John Goodman e Alan Arkin, que ficam responsáveis pela divulgação do filme, com direito a leitura de roteiro para a imprensa (Variety) e festa para comemorar o início das filmagens.

Por mais que pareça mentira, Argo é baseado numa história real, e Ben Affleck aproveita deste detalhe para recriá-la com maestria. Ele consegue empregar um ar documental ao filme, com direito a uma abertura criativa que demonstra a transformação do Império Persa em Irã, além de uma eficiente recriação de época, demostrada nos cenários, figurinos e até no famoso letreiro de Hollywood.

Merece destaque também a tensão que o diretor emprega durante o desenrolar da história, fazendo de Argo um filme político, sem ser panfletário, e, ao mesmo tempo, um ótimo suspense de espionagem, digno das produções produzidas na década de 1970. Sem contar que o filme é uma divertida sátira a Hollywood, principalmente quando o personagem de Arkin está em cena disparando as frases mais divertidas e ácidas do ano.

O filme tem um elenco grandioso e eficiente e, além de Arkin, conta com grandes atuações de John Goodman e Bryan Cranston. Já Affleck tem um desempenho correto, demonstrando um eficiente poder de persuasão que o seu personagem exige, além de mandar bem nos momentos dramáticas, principalmente aqueles que retratam o relacionamento familiar do protagonista.

Vencedor do Oscar de Roteiro Original por Gênio Indomável em 1998 (ao lado de seu grande amigo Matt Damon), Ben Affleck tem grandes chances de conquistar a segunda estatueta em 2013. Só não se espante se desta vez ela vier pela categoria de Direção.

 

 

 

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com

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