Crítica: Em Transe

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Desde a estreia na direção de longas-metragens com Cova Rosa (1994), Danny Boyle conseguiu construir uma filmografia interessante e com grande esmero visual, que nos remete a um videoclipe. Neste período, destacam-se o cultuado Trainspotting, uma das produções mais lembradas quando se fala na trinca sexo, drogas e rock ‘n’ roll, o superestimado Quem quer ser um Milionário?, pelo qual o cineasta arrematou o Oscar de Melhor Diretor em 2009, e o tenso 127 horas, estrelado por James Franco.

Este cuidado apurado com o quesito estético aparece também no longa do diretor, Em Transe, que conta a história de Simon (James McAvoy), um funcionário de uma casa de leilões que está atolado em dívida de jogo e que vê a situação piorar quando se envolve com uma gangue especializada em roubos de quadros, liderada por Frank (Vincent Cassel).

Durante um assalto frustrado envolvendo uma pintura de Goya, o protagonista leva uma pancada na cabeça e desmaia. Quando acorda, Simon não se lembra onde deixou o quadro e começa a ser torturado pelos bandidos. Ao perceber que as torturas não vão surtir efeito, Franck contrata os serviços de Elizabeth (Rosario Dawson), uma psicóloga especializada em hipnose que submete Simon às mais diferentes experiências para ativar as lembranças dele.

A partir daí, o filme passa a se desenvolver, quase todo, na mente de do personagem de McAvoy e, por isso, curiosamente, nos remete a dois longas de Christopher Nolan, Amnésia e A Origem. Comparações à parte, Boyle procura desenvolver a história possibilitando que o seu trio principal possa demonstrar todas as camadas de suas personalidades.

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Apesar de McAvoy estar bem em cena, o destaque fica mesmo para as atuações do francês “carioca” Cassel, que aqui consegue convencer como um marginal perigoso e violento, ao mesmo tempo, em que demonstra um charme de George Clooney nas sequências chaves do longa. Já Rosario Dawson, está perfeita na pele da sedutora e ambígua psicóloga e deixa a plateia o tempo todo com uma pulga atrás da orelha.

O perfeito trabalho de edição e a fotografia vibrante também se destacam no longa e deixam o clima ainda mais tenso. A sensação que fica é a de que Boyle construiu, meticulosamente, cada cena, contribuindo para um verniz pop e uma narrativa ágil.

A diversão só não é perfeita porque o diretor perde um pouco a objetividade na reta final do filme e passa a enganar a plateia com uma reviravolta no roteiro a cada dois minutos. Mas até aí você já foi envolvido por todas as artimanhas de Em Transe e, com certeza, vai estar se entortando na cadeira para desvendar o mistério da trama e, principalmente, saber quais são as reais intenções dos personagens deste trio de atores tão competente.

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com