Crítica: Gonzaga, de Pai para Filho

Se você não viveu os anos 80 ou não é fã de Gonzaguinha, pode até imaginar que ele está de fato sentado ali, observando a própria imagem na capa da revista Veja.

Gonzaga – De Pai para Filho, é um desses trabalhos com assinatura. Breno Silveira (Dois Filhos de Francisco) parece dedicado a fazer PHD em filmes familiares piegas, aqueles com cenas preparadas para fazer as pessoas chorarem. Então, nada como dois ícones da música, ligados por uma história real e sensível.

De um lado um pai autoritário e ausente, que deixa o filho ora com os padrinhos, e depois em um colégio interno, exigindo um “anel de doutor”. A dúvida sobre a paternidade do filho, a rejeição da madrasta com Gonzaguinha, o filme foca tanto na tristeza, que a alegria do rei do baião no palco aparece sempre em trechos melancólicos do longa.

Pode-se dizer que o que há de melhor na produção é a atuação dos seus protagonistas. O carismático Chambinho do Acordeon não é o rei da interpretação, mas compensa no olhar, no sorriso e muito na habilidade musical.

Se o foco do filme era apenas os dois, a explicação sobre a carreira de Gonzaguinha é um suspiro, passa rápido e logo some. A parceira de Gonzagão para escrever Asa Branca, o aclamado hino do sertão, também é bem rasa. Colocar um período de tempo tão longo na tela e ser didático é complexo. Mesmo o conflito por parte do Rei do Baião não fica tão claro, a dúvida sobre a paternidade parece vir do filho.

A fotografia, que mostra o quente e o seco sertão ou mesmo o úmido Rio de Janeiro, é acompanhada por uma trilha sonora que não tinha como ser ruim. O filme é isso. Uma junção de qualidades técnicas, uma história tocante, contada em formato de homenagem, que poderia muito bem ser um especial de fim de ano feito para TV, talvez a história fosse até melhor contada em um seriado como Dalva e Herivelto.

Assim que voltei para casa, pensei no que teria acontecido aos padrinhos de Gonzaguinha, que aparecem várias vezes na história, quase mudos, mas com a importância afirmada na canção Com a Perna no Mundo. Pesquisei, mas não encontrei o que foi feito de Leopoldina de Castro e Henrique Xavier (Dina e Xavier). Eles morreram cedo? Mantiveram contato com a família Gonzaga? Alguém por aí sabe?

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Jornalista e redatora de mídias sociais. Seu filme favorito é O Auto da Compadecida, mas já vê em Selton Mello a mesma sensibilidade de Guel Arraes para retratar a cultura do Brasil. Seu sonho é encontrar os DVDs com as duas jornadas de Hoje é Dia de Maria. Twitter: @BiaNaso