Crítica: Piratas Pirados!

Em meio a tantas animações que mesclam originalidade, grande apuro técnico e boa dose de sensibilidade, é, no mínimo, frustrante assistir a uma produção como Piratas Pirados!. Não que o longa dos estúdios Aardman,  criadores de Wallace & Gromit não tenha lá os seus méritos, eles até existem, de fato… Mas são totalmente esquecidos quando surgem os créditos e percebemos que vimos uma animação tão quadradinha.

Realizado por meio de stop motion com uma pincelada lá e cá de computação gráfica quando necessário, a animação retrata o árduo e quase utópico desejo do Capitão Pirata (voz de Hugh Grant na versão legendada) de conquistar o prêmio “Pirata do Ano”. Com uma tripulação longe de primar pela bravura, um “papagaio” fora de forma como mascote e um navio que parece ter saído de um lixão qualquer, o comandante parte para a Ilha Sangrenta para angariar riqueza suficiente para ser considerado um digno detentor do troféu.

Mas é claro que ele não está sozinho na disputa, e seus principais rivais respondem pelos nomes de Black Bellamy e Cutlass Liz (voz de Salma Hayek), que também se acham merecedores do prêmio. E, vale ressaltar, que ambos os oponentes do Capitão têm um repertório, no mínimo, mais vistoso para saírem vencedores na cerimônia de premiação à la Academy Awards.

Para colaborar com o protagonista, no meio da história, surge um covarde e apaixonado Charles Darwin (ele mesmo), acompanhado de um amigo macaco que se comunica por meio de cartazes. E, completando as figuras históricas, temos uma assustadora Rainha Vitória, que, por não suportar ver um pirata à sua frente nem pintado de ouro, demonstra uma faceta bem diferente daquelas retratadas anteriormente pelo cinema.

Esses dois personagens, aliás, respondem pelos melhores momentos do filme. Inclusive, sempre que aparecem em cena, causam um sorriso de cumplicidade na ala mais crescidinha da plateia, principalmente pelas inevitáveis piadas envolvendo a Teoria da Evolução ou aquelas que satirizam a Realeza Britânica.

Já a criançada, obviamente, o público alvo do filme terá de se contentar apenas com mais um bando de personagens bonitinhos e atrapalhados. Sem contar, a enxurrada de lição de moral que enfatizam a importância da lealdade e de nunca desistir dos nossos sonhos.

Ou seja, Piratas Pirados! é apenas um longa ok para se ver ao lado das crianças no cinema. Tão quadradinho e politicamente correto que não deve desagradar a ninguém. Mas, com um pouco de boa vontade, pode servir  como aquecimento para Valente, nova animação da Pixar, que promete, sim, ser uma aventura de verdade.

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com