Crítica: Prometheus

Um dos filmes mais aguardados do ano, Prometheus é o mais novo projeto ambicioso do cineasta Ridley Scott, diretor de Blade Runner e Alien, o Oitavo Passageiro, e que retorna agora ao mesmo universo do filme que ajudou a definir o gênero ficção científica.

Prometheus é um prelúdio para o clássico Alien, de 1979, que mostra a história de uma expedição espacial que tenta encontrar as origens da vida humana, depois que os cientistas Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) têm suas pesquisas financiadas pelas indústrias Weyland, chefiada pela executiva Meredith Vickers (Charlize Theron).

Os tripulantes da nave Prometheus vão até o planeta que conhecemos em Alien e descobrem, ainda sem saber que se trata disso, a nave do Space Jockey, o fóssil alienígena visto no início do filme de 79. Ao explorar o local, chegam até uma sala onde encontram a cabeça humanoide gigante e as cápsulas que guardam os embriões alienígenas.

A trama de Prometheus está mais próxima do filme original, do que sua continuação, Aliens, o Resgate, dirigido por James Cameron. No entanto, apesar de trazer ótimas sequências de suspense, o roteiro escrito por Jon Spaihts e Damon Lindelof (Lost) é simplório e as grandes questões a que o filme se propõe a resolver, como a origem da vida humana e de onde vieram os aliens, não são resolvidas. Chega-se apenas à conclusão de que o DNA alienígena analisado a partir de uma cabeça humanoide encontrada na expedição, é compatível com o DNA humano. Ou seja, somos, talvez, uma evolução daquela espécie, mas… quem foi que criou aquela espécie? E aí voltamos à estaca zero da grande questão.

O grande trunfo de Prometheus, no entanto, fica por conta das subtramas envolvendo seus personagens. A ótima Noomi Rapace (trilogia Millennium sueca) dá à cientista Shaw emoções diversas, desde o estado de êxtase das descobertas até o medo do desconhecido. Tudo controlado, claro, por seu instinto religioso, em busca de um deus responsável pela origem da vida.

Quem também se destaca, embora tenha seu personagem pouco desenvolvido, é Charlize Theron, que na pele de uma executiva, é o lado mais racional da expedição, sempre fria e tentando se colocar como a verdadeira comandante da tripulação. No entanto, também demonstra fragilidade por conta dos contatos alienígenas, assim como a afinidade do androide David, vivido por Michael Fassbender, com Peter Weyland (Guy Pearce).

E é justamente Fassbender quem rouba a cena em Prometheus. Dotado de toda a falta de humanidade que o personagem exige, David é quem faz a história se desenvolver, a partir de suas descobertas e experiências no planeta que, por vezes, nos faz desconfiar de sua índole e esquecer que é apenas um robô, livre de sentimentalismo e exercício de moralidade. Isso faz de seu personagem o mais imprevisível e, ao mesmo tempo, o torna livre de qualquer pré julgamento.

Os bons personagens, ainda que nem todos tão bem explorados, aliados ao clima de tensão durante os 124 minutos de Prometheus, certamente diverte. Mas, fica claro que o longa poderia ter atingido um nível ainda maior de qualidade se sua história tivesse sido mais aprofundada e melhor desenvolvida, não dependendo de sequências para que as grandes perguntas tenham grandes respostas. Temo pelo futuro de Prometheus, que pode, no final de tudo, não nos apresentar nenhuma dessas respostas, assim como o mesmo Lindelof fez em Lost.

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho