Crítica: Sete Dias com Marilyn

Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por interpretar Marilyn Monroe, Michelle Williams (Namorados para Sempre) contrariou a todos que achavam que ela não combinaria com a personagem e apresenta uma atuação impecável em Sete Dias com Marilyn: linda, sensual, carismática, cativante, apaixonante… enfim, quase tudo aquilo que a gente sabe que a maior sex symbol do cinema era.

O filme, na verdade, não conta a história da atriz, mas de um jovem de família rica chamado Colin Clark (Eddie Redmayne), que sonhava em trabalhar no cinema, mais especificamente na produção de filmes de Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh), um dos maiores atores e cineastas da época. Quando o rapaz finalmente realiza seu sonho, o filme no qual trabalha é O Príncipe Encantado, no qual Marilyn atua ao lado de Olivier, que também é o diretor.

Um tanto assustada com sua viagem à Inglaterra para as gravações, Marilyn tem problemas para se adaptar à personagem, àquele “novo mundo” longe dos Estados Unidos e à pressão de Olivier, que não suporta o fato de a atriz querer o acompanhamento de uma orientadora teatral, que irá ajudá-la com seu método de atuação, mas que faz as gravações gastarem mais tempo do que ele gostaria.

Em meio a esses problemas, a musa encontra em Clark um ombro amigo para suas aflições, que envolvem também seu recente casamento com o dramaturgo Arthur Miller, que chegou a acompanhá-la na viagem, mas voltou aos EUA após Marilyn encontrar algumas de suas anotações, que certamente não deviam falar muito bem dela.

Durante essa semana, vemos a história se desenrolar a partir do ponto de vista de Clark, que é designado para “fiscalizar” o comportamento excêntrico de Marilyn, que mais do que uma amiga, passa a ter um pequeno caso amoroso (por que não?) com o rapaz. No entanto, o mais interessante do filme é justamente esse comportamento que quase não conhecemos da atriz, a estrela atormentada, que não tinha confiança no próprio talento e que se afundava em remédios para dormir.

Na frente das câmeras, Marilyn era a mulher fatal que Michelle conseguiu captar com maestria, assim como seu proposital jeito ingênuo (que a deixava ainda mais sexy) ao falar e sorrir. Por trás delas, era quase que uma pessoa comum, com todas as suas angústias e tendo que lidar com o fato de ser uma das divas mais cobiçadas de sua época, ao mesmo tempo em que queria demonstrar que tinha potencial como atriz.

Kenneth Branagh está bem como Laurence Olivier, só não acho que seja uma atuação merecedora da indicação que recebeu ao Oscar de Ator Coadjuvante. Mas, talvez, esse papel não caberia a mais ninguém além dele, pois assim como Olivier, Branagh é reconhecido por suas atuações shakespearianas, como Hamlet e Henrique V, personagens que também foram interpretados por Olivier.

O filme ainda conta com a participação de Julia Ormond, que interpreta Vivien Leigh (aquela mesma de …E o Vento Levou), mulher de Olivier, e Emma Watson, a Hermione, da série Harry Potter, com um papel pequeno e desnecessário, que só se justifica porque deve ter existido de fato na história real, contada no livro escrito pelo próprio Colin Clark, Minha Semana com Marilyn, no qual ele narra o período em que foi “mais um” na grande fila de homens que se apaixonaram pela musa.

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho