Crítica: Tudo Pelo Poder

Por Paula Ottoni Candido

Para os cinéfilos mais tradicionais, o grande atrativo do filme Tudo pelo Poder é seu ator, diretor e roteirista George Clooney. Mas não se deixe enganar, quem encanta é Ryan Gosling.

Tudo pelo Poder é um thriller que suga toda a esperança que resta na integridade da política. O filme é focado na trajetória de Stephen Meyers (Gosling), um ambicioso e ingênuo membro da equipe do governador democrata Mike Morris (Clooney). A equipe luta pela vaga do partido à presidência dos Estados Unidos, e para isso, deve conseguir o apoio do senador Franklin Thompson (Jeffrey Wright). E que vença o melhor!

George Clooney domina cada cena em que aparece. A eloquência e desenvoltura inicial de seu personagem são impressionantes. O discurso político de Morris é tão certeiro que deixa os antenados na política americana com vontade que o Partido Democrata realmente tivesse eleições primárias em 2012. Mas, a tarefa de adicionar camadas de complexidade a personagens que pareciam ser planos inicialmente fica com o roteiro. Com o desenrolar da história, vemos que a integridade de Morris é mais questionável do que aparentava ser.

Paul Giamatti continua a provar seu talento como o engenhoso marqueteiro rival Tom Duffy. O sempre excelente Phillip Seymour Hoffman não deixa a desejar com sua atuação como Paul Zara, chefe e mentor de Meyers. Evan Rachel Wood convence, mas não impressiona como a instável estagiária Molly Stearns. Mas, vamos falar de Ryan Gosling, a verdadeira estrela do filme.

Fiquem de olho nele! Gosling é uma revelação. Só se surpreenderão com sua performance os que, por falta de tempo ou oportunidade, não puderam acompanhar a carreira do ator. Ele demonstra, de forma bastante sutil, a perda da inocência de seu personagem. Os últimos instantes do filme são de arrepiar e o que causa esse impacto é nada mais do que uma expressão no rosto de Gosling.

Infelizmente, tenho a impressão de que ele será um daqueles atores que encantam constantemente, mas passam anos sem receber um Oscar. Espero que ele não entre nesse grupo, mesmo que acompanhado por talentos como Gary Oldman, Johnny Depp, Liam Neeson e Edward Norton. Não que o Oscar seja absolutamente necessário para provar a habilidade e o talento de um ator, mas reconhecimento nunca é demais.

Escrito por Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon, o roteiro do filme é afiadíssimo. O filme mostra, de forma discreta, como e porque seus personagens venderam a alma em nome do poder. O longa também aborda o envolvimento sexual entre políticos e estagiárias. Em uma das cenas finais, Meyers diz que um presidente americano pode fazer qualquer coisa, destruir a economia, bombardear países e implodir o mercado de trabalho, menos ter um caso com uma estágiaria, numa referência direta ao caso Monica Lewinsky.

Penso que Tudo pelo Poder critica a premissa de que a incompetência passa impune, mas o adultério não. Se a infidelidade de um político preocupa por demonstrar falta de integridade pessoal, a incompetência e a falta de ética dentro das quatro paredes de um gabinete deveriam preocupar ainda mais.

 

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