Crítica: Ginger & Rosa

Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert) são duas jovens de 17 anos em plenos anos 60, em um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, durante a crise dos mísseis cubanos. As duas se conhecem desde que nasceram, em 1945, frutos do baby boom pós-Segunda Guerra, quando suas mães dão à luz no mesmo dia em uma maternidade em Londres.

Em meio às descobertas da adolescência, cigarros, rapazes e política, Ginger e Rosa nos mostram um pouco de suas vidas e de suas personalidades. A primeira, filha de um casal em crise e se separando. A segunda, um pouco mais rebelde, foi abandonada pelo pai quando criança e age como que se botasse a culpa disso na mãe, ignorando-a o quanto pode.

O crescimento de Rosa é marcado, principalmente, por suas descobertas sexuais. Nada muito pesado, ela apenas é um pouco mais atirada e interessada em rapazes do que Ginger, que também se aventura pelas mesmas descobertas, mas mais como observadora da amiga. Já o amadurecimento de Ginger se dá, principalmente, em relação às questões políticas de sua época.

Influenciada pelos padrinhos gays, vividos por Timothy Spall and Oliver Platt, e, principalmente, pela amiga da família vivida por Annette Benning, uma escritora e ativista americana, Ginger passa a frequentar os protestos da época contra a ameaça de guerra nuclear e se vê assustada com a possibilidade de um apocalipse causado por esses conflitos.

Extremamente apegada ao pai, Roland (Alessandro Nivola), um professor universitário que foi um ativista contra a Segunda Guerra, Ginger passa a morar com ele quando seus pais se separam, e isso causa uma inevitável aproximação entre Rosa e Roland.

Ginger & Rosa é um filme fortemente sustentado pelas atuações de Elle Fanning e Alice Englert, que, apesar de jovens, atuam com a segurança e o talento de atrizes veteranas. Nota-se, inclusive, certa mudança de estilo de Rosa a partir do momento em que começa a se relacionar com Roland, pois parece muito mais adulta do que seus 17 anos apontam.

O mesmo se vê em Elle Fanning, que com apenas 14 anos quando da gravação do longa, já fazia um papel três anos mais velha do que ela própria e ainda assim parece mais madura do que os 17 anos da personagem. Demonstrando o porquê já é considerada como uma das mais promissoras jovens atrizes do cinema.

Escrito e dirigido por Sally Potter, Ginger & Rosa trata das mudanças que a vida de duas meninas nascidas e criadas no mesmo ambiente social e cultural pode sofrer, do amadurecimento de duas jovens ainda em estado de descoberta do mundo, e de como as pessoas, por melhores que possam ser, são capazes de magoar mesmo aqueles a quem amam. Pais, mães, amigos, filhos, maridos e esposas.

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho