Crítica: O Espião que Sabia Demais

O Espião Confuso Demais

Aquele velho clichê do “piscou, perdeu” caberia perfeitamente para o suspense O Espião que Sabia Demais, de Tomas Alfredson, se não fosse por um detalhe: Mesmo com os olhos bem abertos, são grandes as chances de não se entender nada do filme. Mas não se assuste, isto não quer dizer que esta nova adaptação do livro de John Le Carré, também autor de O Alfaiate do Panamá e O Jardineiro Fiel, não mereça ser vista, pelo contrário, com um pouco de paciência e boa vontade, o filme pode se tornar até um programa bem prazeroso.

A trama ambientada durante a Guerra Fria gira em torno de George Smiley (Gary Oldman), um veterano espião do serviço secreto inglês que recebe a missão de investigar qual integrante da sua equipe é na verdade um agente duplo que, há anos, presta serviços aos soviéticos. Não se engane com esta premissa simples, o roteiro é tão denso e repleto de reviravoltas, que no meio da sessão você corre o risco de não saber o que está acontecendo à sua frente, de se perder em meio ao elenco numeroso e de sentir vontade de sair correndo do cinema.

Por isso, ao assistir ao filme, preste muita atenção em todos os detalhes, não confie em ninguém que aparecer na tela e nem se importe quando metade do público perder a paciência e abandonar a sessão. Seguindo todas essas dicas, tudo fará sentido ao final, e assim você terá visto um excelente filme, digno de todos os elogios que vem recebendo da crítica.

Parte deste reconhecimento deve-se à grande atuação de Oldman, que por aqui aparece discreto, sereno e quase invisível num ambiente em que todos parecem culpados. E, diga-se de passagem, é até estranho presenciar uma performance calma deste ator inglês marcado por personagens exagerados e viscerais em produções como Drácula de Bram Stoker, Harry Potter e Minha Amada Imortal.

Na verdade, todo o elenco de O Espião que Sabia Demais merece aplausos, e com muita justiça vem sendo apontado como um dos melhores do ano. Destaque para Toby Jones, Colin Firth e Tom Hardy, irreconhecível numa caracterização que lembra a do personagem de Brad Pitt em Encontro Marcado.

Já o ponto fraco do filme fica mesmo para a fotografia, que embora bastante elogiada, em alguns momentos é tão escura que fica quase impossível reconhecer qual personagem está na tela. E este detalhe não ajuda em nada o espectador, que já precisa de um enorme esforço para entender a narrativa.

Mas isto é apenas um detalhe se comparado aos grandes méritos desta obra que, além de divertir, provoca uma experiência inteligente ao público e promove um intenso debate após a sessão. Portanto, deixe o medo de lado e dê uma chance para este filme, um dos melhores do ano. Isto é, se eu o entendi direito…

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com

Comentários

  1. Raul Galhardi disse:

    Gostei da maneira como você escreve. Lembra bastante outros sites de cinema que eu dou uma olhada de vez em quando. Gosto das referências a outros filmes dentro do texto, embora não possa concordar ou discordar delas porque não vi o filme, assim como também não posso avaliá-lo devido a isso. Fico apenas na análise do estilo do texto.

    E por fim, admito que não fiquei com vontade de ver o filme. Embora o Gary Oldman seja foda, odeio filmes escuros como você descreveu e juntando isso com o enredo aparentemente confuso, deixo este pra próxima. =)

  2. Andreza disse:

    Ótima análise…mas não tive paciência para este filme…abandonei a sessão no meio.