Oscar 2013: Denzel Washington

Malcolm X

Detentor de duas estatuetas no Oscar e, talvez, o mais popular ator entre os indicados, Denzel Washington tem a chance (bem mínima, diga-se de passagem) de conquistar seu terceiro prêmio da Academia, por interpretar um piloto alcoólatra e dependente químico que evita uma grande tragédia no drama O Voo, de Robert Zemeckis.

Na realidade, só uma grande zebra mesmo transformará esta indicação em um prêmio, já que sabemos muito bem que outros indicados gozam de muito mais prestígio neste ano que Denzel, como Daniel Day-Lewis (o quase certo vencedor), Joaquin Phoenix e Hugh Jackman, além de Bradley Cooper que faz parte do elenco mais prestigiado pela Academia em três décadas.

Embora seu primeiro papel no cinema tenha sido uma ponta não creditada em Desejo de Matar, clássico estrelado por Charles Bronson, seu primeiro personagem de destaque veio com o longa Um Grito de Liberdade, de Ricarhd Attenborough, no qual interpreta o ativista sul-africano Steve Biko. O filme lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante.

Tempo de Glória

Dois anos depois, o ator seria premiado com sua primeira estatueta, na mesma categoria, pelo longa Tempo de Glória, de Edward Zwick, sobre a Guerra Civil Americana. No longa, Denzel contracena com Matthew Broderick e Morgan Freeman. Denzel também venceu o Globo de Ouro de Ator Coajuvante no mesmo ano.

E não podemos falar sobre a carreira de Denzel e simplesmente descartar toda a questão política que a envolve. Em 1992, Denzel assumiu a responsabilidade de dar vida a Malcolm X, no longa homônimo, que lhe rendeu não apenas uma indicação ao Oscar do ano seguinte, mas um Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim. A cinebiografia do líder revolucionário americano dirigida por Spike Lee ajudou a colocar Denzel Washington como um dos maiores nomes do cinema americano, além de ser considerado um dos grandes defensores na classe artística dos direitos dos negros.

Nos anos seguintes, o ator faria Muito Barulho por Nada, de Kenneth Branagh, O Dossiê Pelicano, com Julia Roberts, Filadélfia, com Tom Hanks, e Maré Vermelha, com Gene Hackman, e sob a direção de Tony Scott. Todos filmes de destaque, seja pela qualidade da trama, pelo elenco ou pelos diretores. Mas o astro voltaria às premiações apenas no início dos anos 2000, por sua interpretação no drama Hurricane: O Furacão, cinebiografia do boxeador Rubin “Hurricane” Carter, acusado injustamente de ter cometido um duplo assassinato.

Dia de Treinamento

O papel lhe rendeu mais um Urso de Prata em Berlim e outro Globo de Ouro, mas ficou apenas na indicação ao prêmio da Academia, que naquele ano foi vencido por Kevin Spacey, por seu papel em Beleza Americana. Mas, no ano seguinte, Denzel estava de volta e sua atuação por Dia de Treinamento lhe rendeu, finalmente, sua segunda estatueta.

Em seu discurso de agradecimento, Denzel não se esqueceu do maior ativista dos direitos dos negros entre os astros de Hollywood, Sidney Poitier, que estava sendo homenageado na mesma cerimônia, e dedicou a ele o prêmio. Naquele ano, em 2002, a cerimônia do Oscar ficou marcada, também, pela vitória de Halle Berry como Melhor Atriz por A Última Ceia. Foi a primeira negra a vencer um Oscar nesta categoria e a segunda a receber uma estatueta da Academia. A primeira foi Hattie McDaniel, em 1940, por …E o Vento Levou.

Na última década, Denzel continuou fazendo bons filmes, mas sem o mesmo destaque de seus longas dos anos 90, como o drama Um Ato de Coragem, de Nick CassavetesO Gângster, de Ridley Scott, O Plano Perfeito, seu terceiro filme com Spike Lee, e uma série de longas com seu amigo Tony Scott, irmão de Ridley, Chamas da Vingança, Dèjá Vu, O Sequestro do Metrô 123 e Incontrolável, último filme do diretor antes de cometer suicídio no ano passado. Nesse período, o ator também se aventurou na direção de dois longas, Voltando a Viver e The Great Debaters, com Forest Whitaker.

[youtube http://youtu.be/jtoY1srdBgA]
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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho