Oscar 2013: Emmanuelle Riva

emmanuelle

O cineasta Alain Resnais queria um rosto desconhecido para interpretar a protagonista do longa Hiroshima, Meu Amor (1959). Eis então que ele contrata a francesa Emmanuelle Riva, dona de um rosto expressivo, mas delicado, e um grande talento advindo do teatro. O filme foi um sucesso, recebendo ótimas críticas pelo mundo e, até hoje, é apontado como uma das melhores produções de todos os tempos.

Após a ótima recepção do filme de Resnais, seria fácil Emmanuelle se aventurar pelos filmes da Nouvelle Vague, que começava a explodir no início da década de 1960. Mas a atriz decidiu dar um novo rumo à sua carreira, dedicando-se novamente ao teatro e aparecendo em pequenos longas franceses, como Kapô (1960), Thérèse Desqueyroux (1963), pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Atriz em Veneza, e Desejos Amargos (1967).

Emmanuelle dedicou boa parte dos anos 1970 com trabalhos em produções da TV francesa. Já na década seguinte, a atriz marcou presença em longas de conceituados diretores europeus, como Olhos na Boca, do italiano Marco Bellocchio (Vincere e A Bela que Dorme), e Liberté, la nuit, do francês Philip Garrell.

Hiroshima

Hiroshima, Meu Amor

Outro grande diretor que também contou com o talento de Emmanuelle foi o polonês Krzysztof Kieslowski, que a dirigiu em A Liberdade é Azul, primeira parte da cultuada trilogia das cores, na qual ela interpreta a mãe de Juliette Binoche. Ainda nos anos 1990, a atriz se destacou em XXL, ao lado de Gerard Depardier, e em Beleza de Vênus, um dos primeiros filmes da eterna Amélie, Audrey Tautou.

Com poucas aparições de destaque nos 2000, parecia que a carreira de Emmanuelle Riva estava fadada à aposentadoria. Mas surgiu o convite do cineasta austríaco Michael Haneke para que ela estrelasse o drama Amor, e o resto da história já é do conhecimento de todos.

Por esta sensacional atuação, Emmanuelle já recebeu, entre outros prêmios, o Bafta, o European Film Awards e o troféu da conceituada Crítica de Los Angeles. Sem contar que ela, aos 85 anos, entrou para a história como a atriz mais velha a ser indicada ao Oscar.

Logicamente, ela ficou lisonjeada com este reconhecimento. Mas, devido à avançada idade e por estar muito tempo longe dos holofotes, não vê a hora de retornar a sua vida normal, como pode ser percebido neste trecho da entrevista que a atriz concedeu ao jornal inglês The Guardian. “As pessoas não me deixaram em paz nos últimos cinco meses. Tenho feito 15 entrevistas por dia, por isso, mal posso esperar para descansar depois do Oscar”.

Mesmo concorrendo com Jennifer Lawrence e Jessica Chastain, duas fortes (e belas) rivais, não será nenhuma surpresa se Emmanuelle Riva faturar a estatueta dourada no próximo dia 24 de fevereiro, data em que, inclusive, completará 86 anos de vida. Será que a Academia está disposta a lhe dar este cobiçado presente?

amor

Amor

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com