Oscar 2013: Joaquin Phoenix

joaquin

Durante boa parte da sua vida, Joaquin Phoenix viveu sob o rótulo de “irmão caçula de River Phoenix”. O cruel disto é saber que o ator presenciou a morte de River, por overdose, numa boate em 1993, quando o pedido de socorro de Joaquin para que ajudassem o irmão ecoou pelos mais variados veículos de comunicação. Aparentemente, com este trauma superado, o ator se firmou como um dos grandes interpretes da atualidade. Mas o enorme talento sempre foi acompanhado de grandes polêmicas.

Nascido em San Juan, capital de Porto Rico, em 28 de outubro de 1974, Joaquin se mudou com a família para os Estados Unidos quando tinha 4 anos. Seu primeiro nome artístico foi Leaf Phoenix e, ao lado de River, teve a primeira experiência como ator na série Seven Brides for Seven Brothers. O ator permaneceu na telinha americana até 1986, ano em que estreou nos cinemas com o longa SpaceCamp – As Aventuras no Espaço, ao lado de Kate Capshaw e Kelly Preston.

O primeiro destaque de Joaquin no cinema foi com o longa O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra (1989), dirigido por Ron Howard. Após um hiato de mais de cinco anos, devido a já mencionada morte de River, ele retornou em Um Sonho Sem Limites (1995), dirigido por Gus Van Sant e estrelado por Nicole Kidman, no qual adotou em definitivo o nome de Joaquin Phoenix. A partir daí, ele participou de Circulo de Paixões (1997), contracenou com Sean Penn e Jennifer Lopes no bom Reviravolta, de Oliver Stone, esteve no elenco de Pela Vida de um Amigo (1998) e atuou com Nicolas Cage no estranho 8 mm.

commodus

Mas foi no início dos anos 2000 que Joaquin começou a demonstrar o tremendo ator que é. Primeiro veio a sua encarnação de um padre prestes a pecar no polêmico Contos Proibidos de Marquês de Sade, atuando ao lado de Kate Winslet  e Geoffrey Rush;  e, no mesmo ano, destacou-se no elenco de Caminho Sem Volta, de James Gray. Para completar um ano excelente, o ator encarnou com brilhantismo o sádico Imperador Commodus em Gladiador, de Ridley Scott. Formando uma ótima dupla com o protagonista Russel Crowe, o ator caiu nas graças de público e de crítica, recebendo uma  indicação ao Oscar na categoria de Coadjuvante.

Nos projetos seguintes, Joaquin foi dirigido por M. Night Shyamalan nas produções Sinais (2002) e A Vila (2004) e pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, em Dogma do Amor (2003). Nesse mesmo ano, o ator se aventurou pelo universo das animações dando voz ao personagem Kenai, de Irmão Urso. As boas performances continuaram em Hotel Ruanda, de Terry George, no qual interpretou um correspondente de guerra, e em Brigada 49, na pele de um bombeiro iniciante, atuando com John Travolta.

Em 2005, obteve um dos melhores desempenhos da carreira dando vida ao músico Johnny Cash em Johnny e June, mostrando que, além de excelente ator, também mandava muito bem como cantor. Por este filme, o ator faturou o Globo de Ouro de Melhor Interpretação em Comédia ou Musical e contabilizou a segunda indicação ao Oscar, desta vez como protagonista, mas viu o prêmio parar nas mãos de Philip Seymour Hoffman, por Capote.

johnny cash

Após um ano longe das telas, Joaquin retomou parcerias com alguns cineastas, voltando a ser dirigido por Terry George em Traídos Pelo Destino, e por Gray nos ótimos Os Donos da Noite (2007) e Amantes (2008), no qual dividiu as telas com Isabella Rossellini e Gwyneth Paltrow.

Quando parecia que a sua carreira estava indo de vento em popa, Joaquin Phoenix anunciou, em 2008, uma aposentadoria precoce dos cinemas. Neste período, o ator começou a dar entrevistas estranhas em programas de televisão e iniciou uma carreira como rapper. Ninguém entendeu nada. Até que ele divulgou que, na realidade, aquilo era tudo encenação para promover um documentário dirigido pelo também ator Casey Affleck.

Ninguém sabe ao certo se tudo aquilo era verdade ou não. O que importa mesmo é que, no ano passado, o ator retornou ao cinema em grande estilo, com o drama O Mestre, de Paul Thomas Anderson, e, além da terceira indicação ao Oscar, recebeu o prêmio de Melhor Interpretação Masculina no último Festival de Veneza, dividido com o companheiro de cena Philip Seymour Hoffman. No longa, Joaquin dá vida ao perturbado Freddie Quell, que após retornar da guerra perambula por diversos empregos até ser “salvo” por Lancaster Dodd, líder da seita religiosa “A Causa”, interpretado brilhantemente por Hoffman.

Ainda não será desta vez que Joaquin Phoenix conquistará a estatueta dourada, pois o desempenho espírita de Daniel Day – Lewis em Lincoln é a maior barbada deste Oscar. Mas é muito bom constatar que ele ainda encontra-se em grande forma, e tem tudo para nos brindar com outras grandes performances, devidamente acompanhadas de muitas polêmicas, claro.

joaquin o mestre

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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com