Oscar 2013: Robert De Niro

Robert De Niro

Considerado por muitos, inclusive por este que vos escreve, o maior ator vivo, Robert De Niro é um nome que ficará gravado para sempre na história do cinema. Isso é inegável. Nascido em Nova York, em 1943, De Niro começou sua carreira em meados dos anos 60 e fazia parte da mesma turma que revelaria cineastas como Brian De Palma, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e George Lucas. Era a época da Nova Hollywood.

Com a contracultura em alta, o desejo desses cineastas de trazerem algo novo ao cinema, inspirados pela Nouvelle Vague francesa, e fugirem do sistema de estúdios estabelecido em Hollywood, De Niro foi se destacando junto de seus amigos. Seu primeiro grande parceiro foi De Palma, com quem realizou três comédias: Quem Anda Cantando Nossas Mulheres (1968), Festa de Casamento (1969) e Hi, Mom! (1970).

Mas foi com Martin Scorsese, cuja carreira jamais poderá ser lembrada sem a perceria com o ator, que De Niro meteu o pé na porta de Hollywood e começou a mostrar a que veio. No drama de crime Caminhos Perigosos (1974), ao lado de Harvey Keitel, o ator que já vinha se destacando por suas comédias, mostra que tem muito talento para personagens dramáticos.

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No ano seguinte, em 1974, assume a responsabilidade de interpretar o jovem Don Vito Corleone na sequência de O Poderoso Chefão, de Coppola. Longa que lhe rendeu seu primeiro Oscar, como ator coadjuvante. Dois anos depois, De Niro volta a atuar em um longa de Scorsese, Taxi Driver, que lhe rendeu a indicação de Melhor Ator. Este é, talvez, seu grande papel, ao lado de seu personagem em Touro Indomável, que falaremos adiante.

Ainda em Taxi Driver, De Niro foi responsável por uma das cenas mais famosas da história do cinema, que nasceu por puro improviso, mas que ficou marcada para sempre e até hoje é lembrada não apenas por cinéfilos no mundo todo, mas também em homenagens em outros filmes. Ao se olhar no espelho, Travis Bickle fala consigo mesmo e pergunta “you talkin’ to me?”. Se anteriormente já havia nascido o talento, a partir daí nascia uma lenda.

Nos anos 70, continuou trabalhando em grandes filmes e com grandes diretores, fez 1900, de Bernardo Bertolucci, O Último Magnata, de Elia Kazan, novamente trabalhando com Scorsese fez o musical New York, New York, e O Franco Atirador, de Michael Cimino, responsável por sua terceira indicação ao Oscar em apenas cinco anos.

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Em Touro Indomável, De Niro deu um novo exemplo do que é ser um ator do famoso Método e engordou mais de 30 kg para viver o boxeador Jake LaMotta, papel que lhe rendeu seu segundo Oscar. Aliás, para viver o taxista em Taxi Driver, ele passou um mês trabalhando 12 horas por dia como taxista nas ruas de Nova York.

Depois disso, Robert De Niro não precisava provar mais nada a ninguém, mas continuou sua carreira trabalhando com grandes diretores, em grandes filmes e personagens. Trabalhou com Sergio Leone em Era Uma Vez na América, com Alan Parker, em Coração Satânico, com Terry Gilliam, em Brazil – O Filme, e com Michael Mann, em Fogo Contra Fogo, no qual contracena com outra lenda, Al Pacino.

Além, claro, de continuar suas parcerias com Scorsese e De Palma em, O Rei da Comédia, Os Intocáveis, onde interpreta Al Capone, Os Bons Companheiros, Cabo do Medo, que lhe deu sua quinta indicação ao Oscar (a quarta havia sido por Tempo de Despertar), e Cassino.

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Entre meados dos anos 90 e durante os anos 2000, De Niro parece ter se acomodado a personagens não muito interessantes e filmes de gosto duvidoso, no que costumamos chamar de “trabalhos para se pagar o aluguel”. Há muito tempo não vinha apresentando uma grande atuação de destaque. Mas agora, com O Lado Bom da Vida, de David O. Russell, no qual interpreta o pai de Bradley Cooper, parece ter reconquistado o respeito da Academia e pode-se dizer que é um novo marco na carreira do ator, já que não recebia uma indicação ao Oscar há mais de 20 anos.

E, ao que tudo indica, De Niro pode voltar para as cabeças com mais uma parceria com Martin Scorsese, no tão aguardado The Irishman, onde deve contracenar com Al Pacino e Joe Pesci, em mais um filme de máfia. Que estejamos todos vivos para ver isso e que os envolvidos sejam inspirados por seus tempos áureos.

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho