OSCAR 2014: Curiosidades da categoria Melhor Filme

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Ao longo do mês de fevereiro, você pôde acompanhar no Sétima Cena uma série de posts sobre algumas das principais categorias do Oscar. Para fechar este especial, mostraremos agora algumas das principais curiosidades da categoria Melhor Filme e, também, sobre fatos marcantes do maior prêmio do cinema mundial.

Entregue pela primeira vez em 1929, com o longa Asas como o primeiro vencedor, a categoria de Melhor Filme já reconheceu grandes clássicos do cinema, como O Poderoso Chefão – Parte 1 e 2, Casablanca e Sindicato dos Ladrões e, mais recentemente, produções de grande qualidade, como Os Imperdoáveis, O Silêncio dos Inocentes, Beleza Americana e Onde os Fracos Não Têm Vez. Mas também não podemos esquecer que a Academia também pisou na bola em diversas oportunidades, deixando de reconhecer marcos como Cidadão Kane, Touro Indomável e Assim Caminha a Humanidade.

O mesmo vale para produções de língua não inglesa, já que grandes gênios do cinema como Bergman, Kurosawa, Antonioni e Fellini, além de vários outros cineastas talentosos, nunca levaram para casa o principal prêmio da Academia. Pior: apenas 9 produções estrangeiras chegaram a concorrer na categoria Melhor Filme, sendo que a última delas foi o excelente Amor, do austríaco Michael Haneke, que saiu da cerimônia do ano passado apenas com uma estatueta, claro, a de Filme Estrangeiro. E o que dizer do tratamento com as mulheres, então? Mas o alarmante dado sobre as cineastas você confere abaixo.

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Falado em mandarim, O Tigre e o Dragão foi indicado, em 2001, ao Oscar de Melhor Filme

Injustiças à parte, o Oscar ainda é a cerimônia mais aguardada e conhecida do mundo da sétima arte. Uma simples indicação ao prêmio ajuda uma produção a ampliar a sua bilheteria nos cinemas e, em alguns casos, até garantir a sua exibição nas telonas. E, cá entre nós, devemos admitir que é sempre prazeroso sentar em frente à TV para torcer por nossos candidatos favoritos e aguardar ansiosamente pelo complemento da frase AND THE OSCAR GOES TO…, mesmo que, na maioria esmagadora das vezes, surja aquele desejo de arremessar a televisão na parede quando as palavras seguintes a ela são, por exemplo, Shakespeare Apaixonado, Crash ou O Discurso do Rei

Confira algumas curiosidades da categoria

  • Os filmes com o maior número de indicações ao Oscar são A Malvada e Titanic, com 14 nomeações cada um. Ambos levaram a estatueta de Melhor Filme e, no total, o primeiro saiu da cerimônia de premiação com 6 troféus; já o segundo, venceu em 11 categorias.
  • Titanic, aliás, divide o posto de maior produção do Oscar com outros dois filmes que também arremataram 11 estatuetas: Ben-Hur, em 1960, e O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, em 2004.
  • O longa de Peter Jackson e O Poderoso Chefão – Parte 2 dividem o posto de as únicas sequências que venceram o Oscar de Melhor Filme.
  • A última parte da trilogia de Peter Jackson ainda ostenta outro recorde: o de ter convertido todas as 11 indicações que recebeu em estatuetas. Outros campeões invictos do Oscar são: Gigi e O Último Imperador, ambos com 9 indicações e 9 estatuetas, e Aconteceu Naquela Noite, que venceu nas cinco categorias em que foi indicado em 1935.
  • Aconteceu Naquela Noite, Um Estranho no Ninho e O Silêncio dos Inocentes são os únicos três filmes a conquistarem o Big Five da Academia, título concedido aos longas que venceram nas cinco categorias principais do Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Atriz.

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    O Silêncio dos Inocentes levou, em 1992, os cinco principais prêmios do Oscar

  • Somente nove produções de língua não inglesa foram indicadas ao Oscar de Melhor Filme. Nenhuma delas venceu.
  • Apenas 10 longas dirigidos por mulheres foram indicados ao Oscar de Melhor Filme. O único a vencer foi Guerra ao Terror, em 2010, de Kathryn Bigelow. Ela também emplacou outra produção na categoria, A Hora Mais Escura, em 2013, mas perdeu para Argo, de Ben Affleck.
  • O musical Cabaré, de Bob Fosse, é o filme que mais arrematou estatueta do Oscar sem triunfar na categoria principal. Em 1973, o longa, estrelado por Liza Minnelli foi indicado a nove categorias, venceu em oito, mas perdeu a principal para O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola. Pelo menos perdeu para um grande clássico, vai…
  • O longa Grande Hotel teve atuação digamos que, ao mesmo tempo, discreta e eficiente no prêmio da Academia. Em 1932, o longa ganhou o Oscar de Melhor Filme. Detalhe: a única categoria em que foi indicado.
  • Dois filmes dividem a “honra” de maiores perdedores da Academia: Momento de Decisão e A Cor Púrpura. Ambas produções receberam 11 indicações e saíram das respectivas cerimônias com as mãos abanando. Outros perdedores ilustres são Gangues de Nova York e o remake de Bravura Indômita, dos irmãos Coen. Os dois longas foram nomeados em 10 categorias, mas não levaram um trofeuzinho sequer para casa.
  • Em 1969, o drama A Noite dos Desesperados recebeu 9 indicações ao Oscar, mas foi esnobado na categoria Melhor Filme. Nenhuma outra produção foi nomeada em todas categorias assim sem concorrer na categoria principal.
  • O maior papa Oscar de todos os tempos é Walt Disney, que, ao longo de sua carreira, recebeu 59 indicações, faturou 22 estatuetas e ainda levou 4 prêmios honorários.
  • Já o compositor Alan Menken, é o maior vencedor ainda vivo da Academia. Ele já levou para casa oito estatuetas, sempre em dobradinha de melhor canção e trilha sonora, por A Bela e a Fera, A Pequena Sereia, Pocahontas e Aladdin.
  • A mulher mais vitoriosa do Oscar é a figurinista Edith Head, que faturou oito estatuetas das 35 indicações que recebeu.
  • O maior perdedor do Oscar é o designer de som Kevin O’ Connell, que de 1984 a 2008 recebeu, nada menos, que vinte indicações ao prêmio da Academia e foi esnobado todas as vezes.
  • Warren Beatty ostenta um recorde de respeito: conseguiu emplacar quatro indicações, numa mesma cerimônia, como produtor, diretor, roteirista e ator. Detalhe: ele conseguiu o feito duas vezes, em 1979, por O Céu Pode Esperar, e em 1982, por Reds. Tudo bem que das oito nomeações Warren só conseguiu uma estatueta, a de Melhor Diretor por este último filme, mas, de fato, é um feito louvável.
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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com