OSCAR 2014: Melhor Atriz Coadjuvante

Continuando nossos textos especiais sobre o Oscar 2014, que já falaram sobre Melhor Canção Original e Melhor Montagem, dessa vez iremos tratar da categoria de Melhor Atriz Coadjvunte, que foi introduzida na premiação apenas em sua nona edição, em 1937. Nos anos anteriores, as atrizes coadjuvantes estavam integradas ao prêmio de Melhor Atriz, sendo que a única atriz secundária a conseguir uma indicação nesse período foi May Robson, em 1934.

Essa dificuldade das coadjuvantes conseguirem ser indicadas junto das protagonistas fez com que elas pressionassem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para que houvesse uma divisão das categorias, que finalmente ocorreu em 1937, quando Gale Sondergaard venceu pelo filme Adversidade. No entanto, até 1943, as vencedoras do prêmio recebiam uma placa ao invés da estatueta do Oscar, que só passou a ser entregue para esta categoria em 1944, quando a grega Katina Paxinou venceu pelo filme Por Quem os Sinos Dobram.

Em 77 anos que o prêmio é entregue, 75 atrizes foram premiadas. Ou seja, apenas duas delas repetiram a dose e faturaram duas estatuetas nesta categoria, Diane Wiest (Tiros na Broadway e Hannah e Suas Irmãs, ambos de Woody Allen) e Shelley Winters (Quando Só o Coração Vê e O Diário de Anne Frank). A cada ano, cinco atrizes são indicadas em escolha realizada por todos os atores e atrizes membros da Academia. Depois de divulgadas as selecionadas, elas serão avaliadas por todos os membros da Academia, e a atriz que receber o maior número de votos fatura o prêmio.

A turma de 2014

Neste ano, as selecionadas formam um grupo bastante plural: vencedoras do Oscar; estreantes no cinema; estreantes em premiações, mas de carreiras longevas; estrangeiras; uma negra (o que é raro); uma idosa… enfim. Como costuma-se dizer por aí, tem para todos os gostos. Nessa categoria, ninguém é favorito absoluto, tampouco carta fora do baralho.

Jennifer Lawrence: A nova queridinha de Hollywood. Todos babam por J.Law, e não é por menos. Além de ótima atriz, tem uma beleza e um carisma que conquistou a todos em pouquíssimo tempo. É sua terceira indicação ao prêmio em quatro anos, sendo que é a atual vencedora do Oscar de Melhor Atriz, recebido no ano passado por seu papel em O Lado Bom da Vida, de David O. Russell. Neste ano, aliás, ela concorre como coadjuvante por Trapaça, do mesmo diretor. Venceu dois prêmios importantes na temporada, o Globo de Ouro e o Bafta, além de outros da crítica, mas nenhum deles tem influência direta no Oscar. De qualquer forma, segue como uma das favoritas na categoria. Principalmente por fazer parte do elogiadíssimo elenco do filme de O. Russell, que emplacou indicações em todas as categorias de atuação.

Julia Roberts: A antiga queridinha de Hollywood, pelo menos do público dos anos 90. É fato que Julia escolheu muito mal alguns dos papéis que fez ao longo da vida, o que fez com que ela ganhasse uma certa antipatia por parte do público (e da crítica, óbvio). Mas quando escolhe bem, consegue fazer bons trabalhos. É o caso, por exemplo, de Closer, Erin Brockovich, pelo qual ela venceu o Oscar de Melhor Atriz, e agora em Álbum de Família, onde consegue estar melhor que a própria Meryl Streep, indicada como protagonista. Esta é sua quarta indicação, mas dificilmente sairá vencedora na noite do dia 2 de março, ainda mais não tendo recebido prêmios de grande representatividade na temporada.

June Squibb: Com 84 anos, ela pode se tornar a atriz mais velha a vencer a categoria, se for escolhida pelos colegas da Academia. Mesmo com uma longa carreira iniciada no teatro, com musicais da Broadway e off-Broadway, curiosamente, June começou tarde no cinema, apenas em 1990, quando fez sua estreia em Simplesmente Alice, de Woody Allen. Também trabalhou com Martin Scorsese, em A Época da Inocência, e Alexander Payne, em As Confissões de Schmidt e agora, em Nebraska, filme que lhe rende as primeiras indicações para prêmios de cinema na carreira. Mas não passaram de indicações mesmo. Seu papel no filme de Payne é bonito e ela está ótima, mas talvez não esteja no mesmo nível de suas adversárias.

Sally Hawkins: mantendo a tradição de Woody Allen de emplacar várias atrizes nesta categoria, a britânica pode se considerar uma sortuda este ano, já que poderia ter ficado de fora para que Oprah Winfrey ocupasse sua vaga pelo filme O Mordomo da Casa Branca. Mas a realidade é que Sally está ótima em Blue Jasmine, um filme praticamente dominado pelo talento de Cate Blanchett, e sua indicação não foi de forma alguma injusta. Sua vitória pode até ser considerada uma zebra, mas não pode ser descartada por completo. Ano passado, apesar de ser nas atuações masculinas, a categoria de coadjuvante fez muita gente perder bolões e apostas ao premiar pela segunda vez Christoph Waltz, o grande azarão entre os indicados. Vai que…

Lupita Nyong’O: estreante, negra, estrangeira e favorita. Não é pouca a carga despejada em cima da belíssima coadjuvante de 12 Anos de Escravidão. Ela aparece relativamente pouco no filme, se comparada com o protagonista, mas rouba as cenas em que está presente. Em seu favor, ainda contam alguns prêmios vencidos na temporada, entre eles o SAG, cujos votantes, em grande parte, são também da Academia. Mas isso dá apenas uma pequena vantagem em relação a suas adversárias. Nem sempre quem vence o SAG sagra-se vencedor do Oscar, como explicamos aqui. E será que os três adjetivos que ela recebeu no início desse texto não podem atrapalhar seu favoritismo, ainda mais diante da estrela de Jennifer Lawrence, a mais reluzente da atual Hollywood?

Curiosidades da categoria

  • A maior indicada como Atriz Coadjuvante é Thelma Ritter, com seis nomeações, mas nenhuma convertida em estatueta. O que faz dela também a maior perdedora na categoria. Sete atrizes dividem o segundo lugar no número de indicações, com quatro nomeações, sendo que uma delas é Amy Adams (que nesse ano concorre como Melhor Atriz).
  • Thelma Ritter ainda é dona de outro recorde, o de maior número de indicações em anos consecutivos na categoria. Ela foi nomeada quatro vezes seguidas, de 1951 a 1954. Só Glenn Close chegou perto, com três nomeações consecutivas, entre 1982 e 1984.
  • Nunca uma atriz foi indicada duas vezes no mesmo ano por filmes diferentes nessa categoria. Indicações duplas de Atriz e Atriz Coadjuvante já aconteceram oito vezes.
  • Na Academia, todas as informações sobre estrangeiros são tratadas como “língua estrangeira”. Ou seja, atrizes que atuem em língua não inglesa. Sendo assim, apenas duas atrizes que atuaram em língua não inglesa foram indicadas para esta categoria: a italiana Valentina Cortese, atuando em francês pelo filme de François Truffaut A Noite Americana, e a japonesa Rinko Kikuchi, por Babel. Nenhuma das duas venceu.
  • Mas, como não somos a Academia, fomos atrás do número de estrangeiras não americanas vencedoras de um Oscar como Atriz Coadjuvante. Dezenove mulheres não americanas venceram a categoria, sendo nove delas britânicas. Os números podem mudar neste ano, já que duas das indicadas são estrangeiras: Lupita Nyong’O é mexicana, e Sally Hawkins, britânica.
  • Em 1940, Hattie McDaniel se tornou a primeira negra a vencer um prêmio da Academia, por seu papel em …E o Vento Levou. Só pela indicação ela já teria entrado para a história, pois em meio à forte segregação racial dos EUA, ela foi a primeira negra a entrar na cerimônia do Oscar na condição de convidada, não como uma serviçal. Assista abaixo a esse que é um dos momentos mais emocionantes da história da premiação.
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  • A atriz mais velha indicada nesta categoria é Gloria Stewart, por Titanic, com 87 anos. Em seguida, vem June Squibb, com 84, indicada neste ano por Nebraska.
  • A atriz mais velha a vencer uma estatueta de Atriz Coadjuvante é Peggy Ashcroft, por Passagem para a Índia, com 77 anos. Logo, se vencer neste ano, June Squibb se torna a atriz mais velha a vencer um Oscar na categoria.
  • Quatro atrizes podem ser consideradas as mais jovens indicadas à categoria, com apenas 10 anos: Tatum O’Neal (Lua de Papel), Mary Badham (O Sol é Para Todos), Quinn Cummings (A Garota do Adeus) e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine). Apenas alguns dias separam as indicadas, sendo Tatum a atriz mais jovem, de fato.
  • Tatum O’Neal também é a mais jovem a vencer a categoria, por sua atuação em Lua de Papel. Depois dela, vem Anna Paquin, que recebeu a honraria com apenas 11 anos, por O Piano.
  • Beatrice Straight é a atriz com o menor tempo de tela a vencer um Oscar nessa (ou em qualquer outra) categoria. Ela aparece em apenas 5 minutos 40 segundos em Rede de Intrigas.
  • O recorde de indicações nessa categoria para um mesmo filme é do longa As Aventuras de Tom Jones, que em 1964 conseguiu emplacar três atrizes coadjuvantes na premiação, Diane Cilento, Dame Edith Evans e Joyce Redman. No entanto, nenhuma delas se sagrou vencedora. O prêmio foi dado a Margaret Rutherford, por Gente Muito Importante. Duas atrizes indicadas pelo mesmo filme, no entanto, é bastante comum, tendo acontecido em 33 oportunidades.
  • Em 1984, Linda Hunt se tornou a única mulher a vencer um Oscar por interpretar um personagem do sexo oposto. Ela viveu um homem em O Ano em que Vivemos em Perigo.
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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho