OSCAR 2014: Melhor Canção Original

O Oscar de Melhor Canção Original é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood desde 1935, na sétima cerimônia de entrega dos Oscars. Os indicados são compositores (não intérpretes) selecionados por letristas e compositores membros da entidade, que depois sagram-se vencedores em escolha realizada por todos os integrantes da organização.

Para que uma canção seja indicada ao Oscar, ela precisa ter sido composta exclusivamente para um filme, não podendo ter sido lançada anteriormente de nenhuma forma, ter sido utilizada em outra obra (musical, espetáculo teatral, outro filme etc.) ou utilizar como base uma música já existente.

Neste ano, quatro canções estão indicadas à categoria:

“Happy” (Meu Malvado Favorito 2)

“Let it Go” (Frozen: Uma Aventura Congelante)

“The Moon Song” (Ela)

“Ordinary Love” (Mandela: Long Walk to Freedom)

A canção “Alone Yet Not Alone”, do filme homônimo, foi desclassificada após ser apurada uma irregularidade em sua eleição. Um dos compositores da música, Bruce Broughton, é integrante do comitê musical da Academia e acabou enviando e-mails para os votantes da entidade lembrando-os de que uma música sua poderia ser indicada. Esse tipo de abordagem não é permitido. Confira abaixo a canção eliminada.

Curiosidades da categoria

  • O Brasil já figurou duas vezes nessa categoria: a primeira, em 1945, quando Ary Barroso foi indicado pela canção “Rio de Janeiro”, do filme Brazil; já em 2012, Carlinhos Brown e Sérgio Mendes foram indicados por “Real in Rio”, música da animação Rio, do também brasileiro Carlos Saldanha. Em nenhuma das ocasiões as canções sagraram-se vencedoras, mas vale ressaltar a curiosidade de que ambas as indicadas são músicas que falam sobre o Rio de Janeiro, talvez a cidade brasileira mais conhecida fora do país. Será um indício de que deveríamos nos dedicar a produzir mais canções como essas? Vai que…

  • Ainda não se convenceu? Ok. No ano em que a categoria foi criada, em 1934, uma das três canções indicadas se chamava “Carioca”, e concorreu ao prêmio pelo filme Voando para o Rio, estrelado por Dolores Del Rio e que ainda contava com a primeira parceria do então estreante Fred Astaire com Ginger Rogers. A canção venceu? Não. Mas vale o lembrete.
  • Em 80 anos de existência da categoria, apenas doze mulheres receberam uma estatueta por ela, sendo que Marilyn Bergman venceu o prêmio duas vezes. Ela também é a mulher com o maior número de indicações, 15.
  • Em 1989, Carly Simon foi a primeira mulher a vencer o prêmio sem a colaboração de um homem, com a música “Let the River Run”, do filme Uma Secretária do Futuro. O feito só se repetiu mais uma vez, em 2007, com Melissa Etheridge, com a canção “I Need to Wake Up”, do documentário Uma Verdade Inconveniente. Essas duas curiosidades sobre as mulheres corroboram o que falei nesse post aqui.

  • O artista com o maior número de indicações nessa categoria é Sammy Cahn, com 26. Ele também lidera a lista com o maior número de estatuetas, quatro, mas divide a posição com outros três nomes: Alan Menken, Johnny Mercer e Jimmy Van Heusen.
  • Apenas quatro filmes conseguiram a façanha de emplacar três músicas entre as indicadas num mesmo ano: A Bela e a Fera (1992), O Rei Leão (1995), Dreamgirls (2007) e Encantada (2008). Apenas os dois primeiros filmes conseguiram vencer. Após as duas derrotas consecutivas de uma tripla indicação, a Academia decidiu limitar para dois o número de indicações possíveis para um mesmo filme nessa categoria.
  • E se as estatísticas sobre as mulheres assustam, esperem para ver sobre os estrangeiros. Em 80 anos, apenas quatro estrangeiros foram premiados na categoria: o grego Manos Hatzidakis (Nunca aos Domingos), o uruguaio Jorge Drexler (Diários de Motocicleta) e os indianos A.R. Rahman e Gulzar (Quem Quer Ser um Milionário). Aí você vai dizer “ah, mas isso é só porque o Oscar é uma premiação que valoriza a indústria interna norte-americana”. Então leia a próxima curiosidade.
  • Em 2005, ano em que o uruguaio Jorge Drexler levou a estatueta por “Al Otro Lado Del Rio”, os produtores do filme não o deixaram cantar a música durante a cerimômia de premiação, pois achavam que isso o faria perder votos. Carlos Santana e Antonio Banderas foram os responsáveis pela execução da música. Ao subir ao palco para receber o prêmio, Drexler cantou um trecho da música ao invés de gastar seu tempo em agradecimentos. Emocionante! (Apenas que chupem, xenofóbicos!)

  • Em 2009, Peter Gabriel se recusou a se apresentar durante a cerimônia do Oscar com sua música “Down to Earth” porque ela teria de ser editada para apenas 65 segundos. O músico foi substituído por John Legend, que a apresentou junto com o Soweto Gospel Choir. O que uns podem enxergar como frescura do Peter Gabriel, eu entendo como respeito à arte.

O universo da música pop está diretamente ligado à Hollywood

Neste ano, três dos quatro indicados estão diretamente ligados ao universo da música pop. A lendária banda irlandesa U2, pela canção “Ordinary Love”, do filme Mandela: A Long Walk to Freedom; o cantor norte-americano Pharrell Williams, pela canção “Happy”, de Meu Malvado Favorito 2; e a cantora sul-coreana Karen O, vocalista da banda nova iorquina Yeah Yeah Yeahs, com a canção “The Moon Song”, do filme Ela. Nenhuma das três, no entanto, deve superar a grande favorita “Let it Go”, da animação Frozen: Uma Aventura Congelante.

Abaixo, você confere duas listas de artistas pop ilustres que foram indicados à categoria. Alguns nunca conseguiram vencer, apesar de várias indicações, como Diane Warren, Sting e Bryan Adams, por exemplo. Outros, mesmo com apenas uma indicação saíram vencedores, como Carly Simon, Eminem e Adele.

Uma curiosidade interessante fica por conta de Elton John, que em 1995 recebeu uma tripla indicação por canções da animação O Rei Leão. Acabou vencendo por “Can You Feel the Love Tonight”, e automaticamente “perdendo para si mesmo” com as canções “Circle of Life” e “Hakuna Matata”. Nos agradecimentos, ele dedicou o prêmio a sua avó, que havia falecido uma semana antes da premiação, e que foi uma das primeiras pessoas a incentivá-lo a tocar piano, aos três anos de idade.

Vencedores ilustres
Burt Bacharach (1970, 1982)
Isaac Hayes (1972)
Barbra Streisand (1977)
Stevie Wonder (1985)
Lionel Richie (1986)
Carly Simon (1989)
Bruce Springsteen (1994)
Elton John (1995)
Phil Collins (2000)
Bob Dylan (2001)
Eminem (2003)
Adele (2013)

Perdedores ilustres
Cole Porter (1937, 1942, 1944 e 1957)
Burt Bacharach (1966, 1967 e 1968)
Quincy Jones (1968, 1969 e 1986)
Paul McCartney (1974 e 2002)
Willie Nelson (1981)
Dolly Parton (1981 e 2006)
Lionel Richie (1982 e 1986)
Phil Collins (1985 e 1989)
Diane Warren (1988, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2002)
Jon Bon Jovi (1991)
Bryan Adams (1992, 1996 e 1997)
Neil Young (1994)
Janet Jackson (1994)
Elton John (1995)
Bruce Springsteen (1996)
Barbra Streisand (1997)
Björk (2001)
Sting (2001, 2002 e 2004)
U2 (2003)
Paul Simon (2003)
Elvis Costello (2004)
Peter Gabriel (2009)

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho