OSCAR 2014: Melhor Diretor

diretores

Em continuidade ao nosso Especial Oscar 2014, que já abordou as categorias de canção, montagem, roteiros, atores e atrizes coadjuvantes e ator e atriz principais, hoje chegou a hora de falar sobre a de Melhor Direção. Neste ano, concorrem dois novatos na categoria, dois diretores respeitados por obras autorais e independentes e um verdadeiro gênio do cinema.

Logo na sua primeira indicação como Melhor Diretor, o mexicano Alfonso Cuarón é o candidato a ser batido na categoria, graças à engenhosidade e o apuro técnico da ficção científica Gravidade, que rendeu ao cineasta os principais prêmios do ano, como o Globo de Ouro, o Bafta, o Critic’s Choice e, claro, o troféu do Sindicato dos Diretores, que costuma influenciar na escolha da Academia… Ufa!!!

Criada em 1929 – ano em que o prêmio foi dividido em Melhor Diretor de Drama, concedido a Frank Borzage, por Sétimo Céu, e Melhor Diretor de Comédia , para Lewis Milestone, pelo longa Dois Cavaleiros Árabes -, o prêmio de Melhor Direção é considerado um dos mais importantes do Oscar. Mas também é uma das categorias mais injustas, pois verdadeiros mestres do cinema nunca foram premiados por aqui. Só para citar alguns exemplos, Stanley Kubrick, Charles Chaplin, Robert Altman, Sidney Lumet e Alfred Hitchcock. Brincadeira, né?

Abaixo, você pode conhecer um pouco mais sobre os cinco indicados deste ano e, também, saber quais são as principais curiosidades da categoria Melhor Direção.

Alfonso Cuaron, Sheherazade Goldsmith

O mexicano Alfonso Cuarón pode sair da cerimônia do Oscar do próximo domingo com três estatuetas na bagagem pelo longa Gravidade. Melhor Montagem, Melhor Filme e, a mais provável, Melhor Direção. Antes disso, o cineasta já havia sido convidado outras três vezes para o prêmio da Academia: em 2003, pelo Roteiro Original de E Sua Mãe Também, e pelo Roteiro Adaptado e Melhor Montagem do excelente e subestimado Filhos da Esperança, em 2007. Versátil e talentoso, Cuarón já pode ir preparando o discurso, pois, dificilmente, sairá do prêmio com as mãos abanando.

steve

Também indicado pela primeira vez, o inglês Steve McQueen é o principal rival de Cuarón à estatueta de Melhor Direção. Ele concorre pelo festejado 12 anos de Escravidão, o grande favorito da categoria Melhor Filme, no qual retrata com muita crueza e sem um pingo de sentimentalismo um dos momentos mais vergonhosos da história americana. Com apenas outros dois longas no currículo (Fome e Shame), McQueen pode se tornar o primeiro cineasta negro a faturar o Oscar de Melhor Diretor. E, se isto realmente acontecer, a estatueta estará em boas mãos.

O Russell

Nos últimos três anos, David O. Russell emplacou nada menos que cinco indicações (duas como roteirista e três como diretor) ao Oscar pelas produções O Vencedor, O Lado Bom da Vida e Trapaça. A nomeação deste ano nesta categoria veio por este último longa, no qual o cineasta faz cosplay de Scorsese, de Sidney Lumet e de Argo e perde feio na comparação com seus “homenageados”. Apesar disso, não será nenhuma surpresa se ele tirar o prêmio das mãos dos dois favoritos acima, já que os membros da Academia parecem mesmo ter sido trapaceados por O. Russell e fizeram deste longa, bem meia boca, um dos principais favoritos da noite.

payne

Concorrendo pela terceira vez nesta categoria, Alexander Payne é um dos nomes mais respeitados do cinema independente americano, graças aos longas Eleição, As Confissões de Schmidt, Sideways e Os Descendentes. Neste ano, concorre pelo sensível e tocante Nebraska, filme em que optou por uma bela fotografia em preto e branco para contar a história de reaproximação entre pai e filho, em busca de um fictício prêmio no interior dos Estados Unidos. Curiosamente, nas três vezes em que foi indicado à categoria de Direção, Payne teve a concorrência de Martin Scorsese. Nas oportunidades anteriores, os dois saíram derrotados, e isto deve se repetir em 2014, já que ambos são os menos cotados da categoria.

scorsese

Por mais que pareça brincadeira, esta nona indicação do grande Martin Scorsese na categoria de Direção, pelo longa O Lobo de Wall Street, causou surpresa em muita gente. Tudo porque os detratores do longa, estrelado por Leonardo DiCaprio, pregaram que o filme fazia apologia às drogas e à corrupção. Grande bobagem. Na verdade, o que Scorsese faz com a maestria habitual é uma deliciosa sátira sobre a ambição e a falta de ética em nome do poder. Este, talvez, seja o seu melhor trabalho desde Os Bons Companheiros e é, acima de tudo, uma excelente aula de como conduzir uma narrativa. Fica a dica, O. Russell.

Curiosidades da categoria

  • O líder absoluto de indicações da categoria é Willian Wyler, nomeado 12 vezes. Para se ter uma ideia, o segundo colocado é Billy Wilder, com 4 nomeações a menos.
  • Wyler é também o diretor que mais emplacou indicações para atores, 36 no total. Deste total, 15 foram convertidas em estatuetas, outro recorde entre cineastas. Em segundo lugar, aparece Elia Kazan, com 24 indicações e nove troféus para atores.
  • Com quatro estatuetas, John Ford é o diretor mais premiado da Academia. Ele venceu por Depois do Vendaval, Como Era Verde o Meu Vale, Vinhas da Ira e O Delator.
  • O diretor mais novo a receber a estatueta é Norman Tarog, que tinha 32 anos quando faturou por Skippy. Já o mais novo a ser indicado, é John Singleton, que tinha 24 anos quando foi indicado por Os Donos da Rua.
  • Clint Eastwood é o mais velho premiado da categoria, por Menina de Ouro. Ele tinha 74 anos quando faturou a estatueta. Já o diretor mais velho a ser indicado é John Huston, que tinha 79 anos quando foi indicado por A Honra do Poderoso Prizzi.
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  • Desde a criação da categoria, 28 diretores de filmes de língua não inglesa foram indicados, incluindo o brasileiro Fernando Meirelles, por Cidade de Deus. Nenhum deles venceu.
  • A dobradinha entre os prêmios de Melhor Filme X Melhor Diretor só não aconteceu em 22 das 86 entregas do Oscar.
  • A indicação de Steve Mcqueen para o Oscar, por 12 Anos de Escravidão, é apenas a terceira de um cineasta negro na história da premiação. Os outros dois foram John Singleton, por Os Donos da Rua, em 1992, e Lee Daniels, indicado por Preciosa, em 2010.
  • Apenas três diretores receberam indicações duplas num mesmo ano: Frank Lloyd, em 1930, por Drag e Regeneração, premiado por este último; Michael Curtiz, em 1939, por Anjos de Cara Suja e Quatro Filhas, que perdeu para Frank Capra, por Do Mundo Nada se Leva; e Steve Soderbergh, em 2001, por Erin Brockovich e Traffic, que faturou por este último.
  • Apenas quatro mulheres foram indicadas ao Oscar de Direção: Lina Wertmüller, por Pasqualino Sete Belezas, em 1977;  a neozelandesa Jane Campion, por O Piano, em 1994; Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros, em 2004; e Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror, em 2010, que é também a única mulher a vencer na categoria.
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Jornalista, fã incondicional de Nick Hornby e coautor do livro inédito Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Ainda não viu nada melhor que Asas do Desejo, de Wim Wenders... Mas Beleza Americana chegou perto. e-mail: cristiano@setimacena.com