Os destaques de julho

A partir deste mês, começaremos a publicar os filmes e/ou séries a que assistimos no mês anterior. Especialmente porque muitas vezes gostaríamos de comentar uma coisa ou outra sobre determinada obra, mas que não renderia um texto específico sobre ela. A ideia é fazer um apanhado geral do que andamos assistindo e comentar o que a gente acha que vale a pena compartilhar com vocês e, no final, listarmos os filmes que vimos.

Enfim, comecei o mês de julho com um curta-metragem brasileiro de animação chamado Pudim de Morango, dos irmãos Wagner. Conheci o curta pelo canal Bryan & Nat, no YouTube. Eles cobriram o festival Olhar de Cinema, de Curitiba, conheceram o trabalho dos irmãos Wagner por lá e mostraram no canal um dos curtas deles, que foi realizado em 1979, em plena ditadura militar, e é cheio de colagens gráficas e em vídeo mescladas com desenhos feitos à mão, em cima de páginas de jornal. É um trabalho bem doido e com uma veia bem política também. Acho que vale a pena conhecer e ficar com aquele gostinho de “quero ver mais coisas desse povo aí! Cadê? Cadê?”.

O último mês também serviu para eu colocar em dia alguns filmes nacionais que eu ainda não havia assistido e reassistir a alguns outros. Dos 26 filmes que vi, 13 foram brasileiros e destacaria entre eles Estômago, de Marcos Jorge, Mutum, adaptação do conto Campo Geral, de Guimarães Rosa, feito pela cineasta Sandra Kogut, Durval Discos, longa de estreia da Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?) e a obra-prima, e único brasileiro a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte. Aliás, se vocês ainda não assistiram ao “Pagador…“, vejam o quanto antes. Nessa revisão, me atentei mais à atuação de Leonardo Villar, que dá uma aula com seu Zé do Burro e me deixou com muita vontade de vê-lo na pele do cangaceiro Lampião, em Lampião, o Rei do Cangaço, longa que fez logo depois desse. Além de seu papel em O Pagador de Promessas, já havia gostado muito dele em A Hora e a Vez de Augusto Matraga, onde interpreta o personagem título do clássico conto do Guimarães Rosa. Vale a pena conhecer também.

Entre os longas internacionais, destacaria o grego O Lagosta, de Yorgos Lanthimos (Dente Canino) e estrelado por Colin Farrell: filmes gregos sendo esquisitos, sempre. O suspense The Invitation, que aqui no Brasil não ganhou lançamento nos cinemas, mas está “em cartaz” na Netflix, e o documentário sobre a cantora Janis Joplin, Janis: Little Girl Blue, da cineasta Amy Berg. Muito bom para conhecer mais da vida dela, que a maior parte das pessoas se limita a apenas saber que “cantou muito e morreu de overdose”. Há algo mais por trás daquela persona: seus medos, seus demônios e o que teve que enfrentar em seu curto período de vida. Também aproveitei para reassistir a alguns clássicos, como O Último Tango em Paris, do Bernardo Bertolucci, que gostei ainda mais nessa revisão, e Serpico, do Sidney Lumet. Falar sobre as atuações de Marlon Brando e Al Pacino nesses dois filmes, respectivamente, é chover no molhado. Dois monstros.

Montgomery Clift, Marilyn Monroe e Clark Gable em Os Desajustados

Montgomery Clift, Marilyn Monroe e Clark Gable em Os Desajustados

Além disso, também aproveitei para ver pela primeira vez Os Desajustados, longa do John Huston com Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift. Ando cada vez mais fascinado pelos trabalhos da Marilyn, que já gostava, mas que hoje vejo com outros olhos. Assisto com uma dose extra de melancolia, especialmente por conta de sua tragédia pessoal. Nesse filme, ela tem uma de suas melhores atuações na carreira, em um papel que foge muito da maior parte dos filmes que fez, onde interpretava apenas a mulher ingênua (pra não dizer burrinha mesmo) e/ou interesseira. Aqui, ela vive uma mulher melancólica que, após se separar do marido, conhece um vaqueiro bem mais velho e tenta recomeçar sua vida, mas ainda vive cheia de conflitos consigo mesma e com o resto do mundo. Se puderem assistir, não percam a chance.

Entre as séries, assisti à nova queridinha da galera, Stranger Things, da Netflix, que vocês já ouviram falar demais e, possivelmente, já devem ter assistido também. Comecei a ver Mr. Robot, que começou sua segunda temporada recentemente, e The Night Of, nova série da HBO, que conta a história de um rapaz que acaba envolvido em um caso de assassinato e vai preso por ter cometido esse crime. Agora, ele precisa contar com a ajuda de um advogado de porta de cadeia, muito bem vivido por John Turturro, para tentar provar sua inocência que nem mesmo ele sabe se tem. Ufa, acho que é isso!

Abaixo, veja a lista completa com os filmes que assisti ao longo do mês de julho.

Pudim de Morango (1979), dos irmãos Wagner
Sexo, Rock e Confusão (1995), de Allan Moyle
Janis: Little Girl Blue (2015), de Amy Berg
The Invitation (2015), de Karyn Kusama
O Rio das Almas Perdidas (1954), de Otto Preminger e Jean Negulesco
O Lagosta (2015), de Yorgos Lanthimos
Os Caça-Fantasmas (1984), de Ivan Reitman
Os Caça-Fantasmas 2 (1989), de Ivan Reitman
Vale do Pecado (2013), de Paul Schrader
Estômago (2007), de Marcos Jorge
Amarelo Manga (2002), de Cláudio Assis
Baixio das Bestas (2006), de Cláudio Assis
Cine Holliúdy (2012), de Halder Gomes
Mutum (2007), de Sandra Kogut
Árido Movie (2007), de Lírio Ferreira
Durval Discos (2002), de Anna Muylaert
O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte
Sob o Domínio do Medo (1971), de Sam Peckinpah
Ventos de Agosto (2014), de Gabriel Mascaro
O Cheiro do Ralo (2006), de Heitor Dhalia
Meu Nome Não É Johnny (2008), de Mauro Lima
Orson Welles: Luz & Sombra (2015), de Elisabeth Kapnist
O Úlitimo Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci
Serpico (1973), de Sidney Lumet
Os Desajustados (1961), de John Huston
O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto

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Jornalista e crítico de cinema. Coautor do livrorreportagem Cine Belas Artes: Um Olhar Sobre os Cinemas de Rua de São Paulo. Acha O Poderoso Chefão o melhor filme do mundo, mas torce todos os dias para assistir a algum que o supere. Ainda não encontrou, mas continua buscando. E-mail: carlos@setimacena.com // Letterboxd: @CarlosCarvalho